Aprendi que estou na Terra para ajudar os outros. O que ainda não percebi é o que estão os outros aqui a fazer!
segunda-feira, 29 de abril de 2019
quarta-feira, 24 de abril de 2019
Ser professor, João Pedro Mésseder
Ser professor,
Se não houvesse espelhar de olhos no primeiro dia de aulas, ser professor não seria um sonho.
Se um fio de beleza não pudesse soltar-se daqueles dedos, daquelas vozes cantoras, daqueles corpos em movimento, ser professor não seria um sonho.
Se um fio de beleza não pudesse soltar-se daqueles dedos, daquelas vozes cantoras, daqueles corpos em movimento, ser professor não seria um sonho.
Se nunca um verso ganhasse asas no fresco dos seus lábios, ser professor não seria um sonho.
Se um livro, uma pintura, um ambiente virtual ou um filme não abrissem uma porta até então fechada, ser professor não seria um sonho.
Se o tédio não pudesse emagrecer, ser professor não seria um sonho.
Se o saber não construísse pessoas melhores, ser professor não seria um sonho.
Se Arte e Jogo, Língua e Ciência não pudessem ser nomes próprios, nobres palavras, ser professor não seria um sonho.
Se um certo olhar não sorrisse ao conseguir ler pela primeira vez uma frase, fazer uma descoberta, resolver um problema, ser professor não seria um sonho.
Se um rosto não se iluminasse ao ouvir “muito bem!”, “está bem visto!”, “um passe perfeito!”, ser professor não seria um sonho.
Se uma mão negra e outra branca e outra morena não pudessem tocar-se, ser professor não seria um sonho.
Se várias cabeças não conseguissem pensar melhor do que uma, ser professor não seria um sonho.
Se o silêncio e o asseio, a sobriedade e a ordem não pudessem ser aprendidos, ser professor não seria um sonho.
Se o medo e a violência, a solidão e a pobreza não pudessem ser combatidos, ser professor não seria um sonho.
Se justiça e democracia, fraternidade e autoridade não pudessem ser aprendidas, ser professor não seria um sonho.
Se na escola não pudesse germinar a paz e a entreajuda, em vez da competição, ser professor não seria um sonho.
Se a escola não ajudasse a reordenar o mundo, ser professor não seria um sonho.
Se a inteligência não pudesse guiar o sonho, se este não pudesse guiar a inteligência, ser professor não seria um sonho.
Quando nas lides te iniciaste, ser professor tinha a forma de um sonho? Se não tinha, o tempo deu-lhe essa forma. Para muitos, ser professor é tornar real um sonho. O de ajudar a crescer, a fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
E não há ofensas, nem indignidades – provindas de efémeros poderes –, nem rankings, nem propagandas capazes de matar esse sonho.
Nem distâncias, nem sacrifícios, nem desassossego, nem noites em claro…
Sem vozes de crianças e jovens à tua volta, sem humana relação, ser professor não seria um sonho.
João Pedro Mésseder
segunda-feira, 22 de abril de 2019
domingo, 21 de abril de 2019
sábado, 20 de abril de 2019
Beija-me burro *****
Beija-me Burro
R. Dr. António Patrício Gouveia 8 Loja B, 2780-185 Oeiras
961 620 947
https://maps.app.goo.gl/sUGb9eoZPFtrv6TS6
Batatas fritas especiais, bem boas, e tirinhas de carne (que não comi)
Bacalhau com puré de grão e grelos, uma maravilha
Queijo Camembert com geleia de pimentos, uma delícia
sexta-feira, 19 de abril de 2019
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Dor
A dor que dói
que é dor que se sente
a dor que é dó
da gente que sente
a dor que não entende
a dor que é a falta da gente
a dor de ser gente com dor
de ser dor de gente
que só o quer ser
dor que é saudade
saudade de ter saudade
dor de quem tem medo
medo de sentir dor.
que é dor que se sente
a dor que é dó
da gente que sente
a dor que não entende
a dor que é a falta da gente
a dor de ser gente com dor
de ser dor de gente
que só o quer ser
dor que é saudade
saudade de ter saudade
dor de quem tem medo
medo de sentir dor.
Gastar as senhas e quanto ao lixo tóxico: detox.
E cá estou eu outra vez!
Se melhorei o estado de espírito? Sim... Não vou dizer que estou bem, mas estou melhor! E estar melhor é bom. Tive alta em oncologia, a melhor notícia do ano. Ver-me livre daquele ambiente de morte, de sofrimento, de tanta solidão, porque a maioria dos doentes sofre em silêncio, foi uma coisa preciosa.
Fiz escolhas difíceis. Reconheci a minha incapacidade financeira e tive de reverter comportamentos inaceitáveis para quem já ronda os sessenta! Tive de me disciplinar, parar de tentar agradar com presentes, deixar de «passear» para remediar conflitos latentes, enfrentar a realidade, não tenho, não posso! E, apesar de complicado, felizmente os filhos deram uma valiosa ajuda, tem sido bom, é como o regresso às origens, viver com que se tem, não fazer de conta...
O fim do ano de 18 foi uma bela merda. Para variar, os momentos depressivos estragaram tudo o que de bom podia ter havido. Nos meus anos, um dia cheio de sol, em Sines a almoçar, a angústia chegou ao jantar. Tudo é uma complicação quando se quer complicar... E mais uma vez, engole-se em seco e chora-se depois, muito, acabei a chorar nos 30 anos do Afonso, estraguei-lhe a noite, e não foi só a noite... «Ou a mãe se trata ou eu...». E tinha razão! E tem razão.
O Natal foi cá em casa, o Natal é o Natal... Ser cá em casa é um privilégio. A Matilde estava doente, é sempre uma preocupação, febre e choro... Mas foi o melhor Natal de sempre. Fomos à Missa do Galo, nos Álamos, o padre Lavajo é uma simpatia e recebeu-nos com abraços, apertos de mão e beijinhos, Domingos, Afonso, António e eu. Às tantas, pediram-me para participar no peditório, coisa que nunca tinha feito, nem me passava pela cabeça fazer, aceitei, não sem antes perguntar: eu? Quando chegou a hora, muito solenemente, dirigi-me para a minha zona, sozinha, uma data de gente para «atender».O saco andava para trás e para a frente e eu sem dar conta do recado. Quando dei por mim, a pessoa que me tinha feito o pedido estava já em ação. A missa estava parada por causa de mim... Que vergonha. Mas foi o momento da noite, antes da troca de presentes e da ceia.
O Natal nos Olivais não deixou saudades e o Restelo uma sombra do que foi e do que poderia ter sido. Olhando bem para trás, só me senti lá bem até 88, nesse ano percebi, com muita clareza, que não fazia parte, por isso, esse Natal foi a quatro nas Caldas. O Afonso com dias de vida, a Inês totalmente baralhada, e nós os dois com a certeza que dali para a frente nada seria como dantes. Graça teve ver a tia à porta de casa com um saco cheio de presentes, cheio de má consciência, com um ar de Mãe Natal tardia... Desde aí, o Natal nunca mais foi o mesmo. Sempre à espera do telefonema para saber se era para ir ou não... Fazer as malas a correr, para depois me sentir a mais.
O Natal nos Olivais não deixou saudades e o Restelo uma sombra do que foi e do que poderia ter sido. Olhando bem para trás, só me senti lá bem até 88, nesse ano percebi, com muita clareza, que não fazia parte, por isso, esse Natal foi a quatro nas Caldas. O Afonso com dias de vida, a Inês totalmente baralhada, e nós os dois com a certeza que dali para a frente nada seria como dantes. Graça teve ver a tia à porta de casa com um saco cheio de presentes, cheio de má consciência, com um ar de Mãe Natal tardia... Desde aí, o Natal nunca mais foi o mesmo. Sempre à espera do telefonema para saber se era para ir ou não... Fazer as malas a correr, para depois me sentir a mais.
Reconhecer a dor, falar dela, escrever sobre ela é assumi-la. Há anos que fazemos de conta, que faço de conta... Zango-me, fico zangada tempos e tempos e não resolvo nada. Nada? Não, também não é bem assim. Pus alguns pontos finais em alguns assuntos.
Arrumar ideias, limpar a cabeça é meio caminho para libertar espaço para pensar e pôr em perspectiva a nossa vida. Vi-me metida num sarilho a que era totalmente alheia, fiz parte dele contra vontade, vi o pior da falta de ética e de escrúpulos, o vale tudo, o diz que disse, o entre amigas não há segredos, o cobrar... Se pensar bem, friamente, este filme desenrolou-se à minha frente durante meses, um enredo com contornos políticos, embebido da formação nas jotas, dos conluios, das reuniões secretas em que o bufo se acomoda mas não assume, em que se revelam verdades escondidas, relações tenebrosas de poder e contra-poder... A merda dos pequenos poderes que estragam a vida do mais incauto ser que quer viver em paz e sossego, sem alguma vez pôr em causa a sua dignidade, os seus valores, porque esses, sim, dão-nos a paz e o sossego de que precisamos, apesar de todas as contrariedades. Então, ao fim de um tempo, que parecia interminável, acabou... Este já foi o segundo episódio, mas também o último. Como disse já há uns tempos, não sou a consciência de ninguém, muito menos a de quem não tem nenhuma. Ser grilo falante não é para todos, «Let your conscience be your guide» é um lema de que não prescindo. Agir em conformidade não é fácil, dizer-se o que se pensa nem sempre é politicamente correto ou bom, é mesmo só para o que convém, quando não convém, custa! Assunto encerrado.
E quando, por opção, ignoramos os outros? Por opção! Não por qualquer outra razão. Porque queremos marcar uma posição. Há retorno? Volta a dar? Ah, estou em falta... Estás? Não me parece. Desculpa! O quê? O que foi feito em consciência? Um marcar de posição, uma demarcação? Não há mesmo volta a dar. Não faço mais de conta. O que está feito, está feito. Vive-se com isso, fica resolvido, porque não tem solução. E vive-se bem? Claro que não. Mas quando somos nós a definir o que é e não é importante, fica mais fácil. Decidimos que magoar os outros não é importante, por isso não faz muito mal, o outro que resolva. Ah, preciso de falar! Não me parece, não há nada que eu queira ouvir, não qualquer desculpa esfarrapada misturada com declarações de amizade profunda e longa, para mim é mais longínqua do que longa. Ficam, sobretudo, os laços de família, que de família pouco me enlaçam. Mas mais uma vez, não faz mal... Fim de vários capítulos. «É uma pessoa, essencialmente, boa», pois! Já eu... não. Mais do estilo rancorosa, que não esquece, que tem dificuldade em entender e, por isso, perdoar... Assunto encerrado. Chamemos-lhe um detox!
Assim como assim, encerrei alguns assuntos. Mas há mais para resolver e encerrar, bem mais difíceis. Os que não sei como, são intrínsecos, estão de tal forma embrenhados em mim que fazem já parte do meu ser, sempre fizeram, aliás, têm estado em banho-Maria, a marinar, a adensar-se, a deixar-me sem ar. Esses, devagar, devagarinho, vão dando cabo de mim.
E quando, por opção, ignoramos os outros? Por opção! Não por qualquer outra razão. Porque queremos marcar uma posição. Há retorno? Volta a dar? Ah, estou em falta... Estás? Não me parece. Desculpa! O quê? O que foi feito em consciência? Um marcar de posição, uma demarcação? Não há mesmo volta a dar. Não faço mais de conta. O que está feito, está feito. Vive-se com isso, fica resolvido, porque não tem solução. E vive-se bem? Claro que não. Mas quando somos nós a definir o que é e não é importante, fica mais fácil. Decidimos que magoar os outros não é importante, por isso não faz muito mal, o outro que resolva. Ah, preciso de falar! Não me parece, não há nada que eu queira ouvir, não qualquer desculpa esfarrapada misturada com declarações de amizade profunda e longa, para mim é mais longínqua do que longa. Ficam, sobretudo, os laços de família, que de família pouco me enlaçam. Mas mais uma vez, não faz mal... Fim de vários capítulos. «É uma pessoa, essencialmente, boa», pois! Já eu... não. Mais do estilo rancorosa, que não esquece, que tem dificuldade em entender e, por isso, perdoar... Assunto encerrado. Chamemos-lhe um detox!
Assim como assim, encerrei alguns assuntos. Mas há mais para resolver e encerrar, bem mais difíceis. Os que não sei como, são intrínsecos, estão de tal forma embrenhados em mim que fazem já parte do meu ser, sempre fizeram, aliás, têm estado em banho-Maria, a marinar, a adensar-se, a deixar-me sem ar. Esses, devagar, devagarinho, vão dando cabo de mim.
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