terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Simple Minds - See The Lights

Pensamento do dia...

«Nada pior que o homem possuído de si 

mesmo», Agostinho da Silva, no feminino 

também dá... o género não é mesmo 

relevante!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Toca-me


Toca-me…
Há muito, muito tempo, ainda a igreja era um convento e a vida vivida em Évora corria devagar ao som dos sinos.
Nesse tempo em que acabou a escuridão, em que as trevas se abriram para dar luz ao mundo, a música ganhou forma com a construção de um instrumento maravilhoso, tão poderoso que elevaria o som aos céus. Esse instrumento sou eu, o órgão da igreja de São Francisco.
Ao longo dos tempos renovaram-me, fui acrescentado, pintado, melhorado para que o som fosse divino, suave, profundo e doce, assim como as vozes dos monges que me acompanhavam.
«Toca, organista, toca! Leva o meu som ao céu… Deixa-me falar com os anjos, acalmar a dor dos que sofrem, lavar a alma dos tristes, iluminar os rostos dos meninos que me ouvem! Toca, organista, toca!»
E o som inunda o espaço, eleva-se através dos tubos, e as mãos do organista percorrem as minhas teclas, que conduzem o som aos tubos, às minhas dezasseis flautas, libertando os timbres, tantos… O do contrabaixo, do tambor, do flautado aberto e tapado, do clarim, da oitava real, e o da voz humana que se mistura com a trombeta real, a corneta real, o cheio e o cheio, a quinzena, a décima sétima, a dozena, e o silêncio de quem ouve quebra-se perante a grandeza desta sinfonia melodiosa, encantada…
         «Toca, organista, toca! Deixa-me dizer o que penso, deixa-me falar, deixa que me oiçam! Deixa-me gritar, chorar e rir…Toca, organista, toca!»
         Cada tecla é única, perfeita, pressionada perpetua o som e o som perpetua a felicidade de se ser amado, de amar!
         E as gentes vêm de longe e de perto, ao frio, ao calor, de noite e de dia, pobres e ricos, só para me ouvir, no compasso das mãos que se entrelaçam, que me elevam e libertam.
         «Toca, organista, toca, mostra o que sabes fazer, faz a nossa alma vibrar, leva-me ao céu e ao mar, leva-me às nuvens e à praia, leva-me daqui, leva-me aonde nunca fui, mostra-me do que és capaz, tu e eu, os dois num só! Toca, organista, toca!»
         E eu cresço, aprendo, vivo, vivo nas mãos de quem me cria, de quem me toca, de quem me estuda e mima compondo para mim, porque quem para mim escreve, escreve para o mundo e o mundo avança com a certeza de que a beleza é suprema e infinita.
         Mas quando as portas se fecham, quando não vem ninguém, quando o silêncio é profundo e prolongado… Quando as mãos não tocam nas teclas, quando o som teima em não sair, então aí fico muito calado, quieto, à espera, à espera daquele instante em que o organista regressa e me devolve a vida, o som e a luz e digo «Toca, organista, toca, toca o que quiseres, toca como quiseres, mas toca, organista, toca!»




terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Take me back - Van Morrison

DIA 16 = DIA DO TRIUNFO, ou não...

16
O 16 é o número dos extremos: da riqueza ou da miséria. Dependendo da vida que levar, pode transformar seu possuidor num ser poderoso, rico, um ser de pleno sucesso e felicidade; no outro extremo, pode arruinar, levar ao desmando, transformar o ser em um elemento arrogante, prepotente, orgulhoso e dominador. Aconselha-se que os possuidores deste número vivam tão altruisticamente quanto possível, a que tenham pensamentos positivos, sentimentos elevados e, desta maneira, com absoluta certeza atingirão o sucesso e serão muito felizes. É, também, o número do equilíbrio entre o material e o espiritual. Se teimar em viver fraudulentamente, querendo levar vantagem em tudo e com todos, poderá ver seus planos frustrados, ser traído por amigos e ainda contrair doenças inesperadas. É analítico, cético (só acredita no que vê ou é comprovado), gosta de conhecer a essência e o âmago das coisas e pessoas e também apresenta acentuado caráter perfeccionista. Pelo seu senso de perspicácia, gosta e consegue desvendar coisas misteriosas e também de acumular conhecimentos. É um ser de grande sensibilidade, intuição e inspiração, tendo mesmo qualidades psíquicas sem qualquer estudo do assunto. Um dos seus grandes defeitos é gostar que as pessoas que o rodeiam vivam conforme seus moldes e, quando isso não ocorre, torna-se mal humorado e até colérico. Por esse seu temperamento de presunção, geralmente vive isolado, porém, na realidade tem grande desejo de afeto e principalmente compreensão. Apesar de tudo isso, não suporta interferência em seus planos e projetos, mesmo quando estes não dão certo e o fazem rever ou adiá-los, fato corriqueiro na sua vida. Em vista da sua grande sensibilidade, que é atrativa em vários segmentos, deve tomar muito cuidado com falsos amigos, descontentamentos, com a ansiedade e principalmente com alguns perigos físicos, como o excesso de velocidade em automóveis. Deveria, portanto, fugir da agitação das grandes cidades, dando preferência a viver no campo ou então perto da água (rios,lagos e oceano). Pela sua característica, deve trabalhar na iniciativa privada, em negócios de amplitude universal, de preferência que envolvam a educação ou a moral. As frustrações ao longo da vida (que não são poucas) podem lhe causar distúrbios digestivos, doenças de pele e até algumas imaginárias (hipocondrianismo).

Nem de propósito, NO PAÍS DOS SACANAS – Jorge de Sena

NO PAÍS DOS SACANAS – Jorge de Sena

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas
E todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
Para fazer funcionar fraternamente
A humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
Para além da rivalidade, invejas e mesquinharias
Em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
E ver se se convertem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
Ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
Porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
Que a nobreza, a dignidade, a independência,
a Justiça, a bondade, etc., etc., sejam
Outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
A um ponto que os mais não capazes de atingir.
.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então neste país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Nós sabemos bem... mas há quem olhe para o lado!

Sem comentários...

sábado, 21 de janeiro de 2012

Tintin


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Disney's Robin Hood - Not in Nottingham



Every town
Has its ups and down
Sometime ups
Outnumber the downs
But not in Nottingham
I'm inclined to believe
If we were so down
We'd up and leave
We'd up and fly if we had wings for flyin'
Can't you see the tears we're cryin'?
Can't there be some happiness for me?
Not in Nottingham

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

I need You


Lord, if I ever needed someone
I need You
Lord, if I ever needed someone
I need You

To see me through the daytime
(See me through the daytime)
And through the long, lonely night
To see me through the darkness
And on into the light

To stand with me when I'm troubled
(Stand with me when I'm troubled)
And help me through my strife
At times get so uncertain, I turn to You
Turn to You, in my young life

Lord, if I ever needed someone
I need You
Lord, if I ever needed someone
I need You

Someone to hold onto
(Someone to hold to)
And keep me from all fear
Someone to be my guiding light
And keep me ever dear

To keep me from-a my selfishness
(To keep me from my selfishness)
To keep-a me from-a my sorrow
To lead me on to givingness
So I can see a new tomorrow

Lord, if I ever needed someone
I need You
Lord, if I ever needed someone
I need You

Someone to walk with
Whoa, someone to hold by the hand
Someone to talk with
Someone to understand

Yeah (yeah)
Yeah (yeah)

To call on when I need You
(Call on when I need You)
And I need You very much
To open up my arms to You
(Feel your tender touch)
(Feel your tender touch

To feel it and to keep it
(Feel it and keep it)
To keep it right here in my soul
(Yeah, yeah)
And care for it and keep it with me
(Never, never to grow old)
Never to grow old

Lord, if I ever needed someone
I need You
Lord, if I ever needed someone
I need You

One more time, again

Lord, if I ever needed, needed some a-one
I need You

Lord, oh if I ever needed some a-one
I need You

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sorri, Charles Chaplin

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri, vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz


Charles Chaplin

Dia do sorriso - Louis Armstrong - When You're Smiling

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sonhe com aquilo que você quiser.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida e nela
só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas
que passam por suas vidas.

Clarice Lispector

Amber Alexander


Heartbeats - Jose Gonzalez - ♥

Save Me - Aimee Mann

Samuel Beckett


Ed Sheeran - The A Team (Official Music Video) OUT NOW!

En français...


Martin Jarrie


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dexy's Midnight Runners - All In All (This One Last Wild Waltz)

Fly Me Out


FlyMeOut from Li QIAN on Vimeo.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Be Happy

sábado, 14 de janeiro de 2012

David Petersen


Albert Einstein

If you want your children
to be bright,
read them faerytales.
If you want
them to be brilliant
read them even
more faerytales.

LEONARD COHEN - Angel

Como diria Lincoln, «queres conhecer o carácter de um homem? Dá-lhe poder.»

Corrigindo Lincoln,  queres conhecer o carácter de alguém? Dá-lhe poder. Homem ou mulher, porque a questão de género não faz a mais pequena diferença.
Facilmente se pode comprovar, basta olhar para qualquer lado... Idiotas com duas caras, sem integridade, sem compaixão ou sentido de solidariedade, mentirosos, vaidosos, cínicos, hipócritas, parolos e incompetentes!
Felizmente, há honrosas excepções, que ainda são muitas, mas uma larga minoria ao pé dos outros!
Mas no que respeita à intriga e à maledicência, os homens (desculpem-me os homens, mas não há quem me convença do contrário) são imbatíveis, por alguma razão dizemos «o bufo» e não «a bufa»! Têm significados totalmente diferentes. E pela minha (já longa) experiência em contacto directo com esse tipo de vermes/gentalha, confirma-se o que eu penso, imbatíveis e repugnantes!
Isto é um bufo, imagine-se! Não fazia ideia, estamos sempre a aprender, mas qualquer semelhança com o bufo da espécie humana é pura coincidência, esse é garantidamente mais feio, nojento e repelente! Nunca se transformará num príncipe, encantado ou não...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Bom fim de semana!


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

E uma visita às grutas do Escoural?









quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

:-)


«A minha escola» vai ficar arrumadinha aqui:

Obrigada, Teresa Maria Queiroz e Pastelaria Studios! Um privilégio!
Depois de muita hesitação e instigada pela Anna, também por uma imensa vontade de me ver ao lado de gente que escreve porque lava a alma, porque adora, porque precisa de escrever para se sentir, para se ouvir, decidi enviar um texto para a Pastelaria. Fui seleccionada, a Anna também! E estou numa excitação difícil de controlar!
Beijinho grande, Teresa e Anna, e à minha amiga Helena Perdigão que sempre disse que o meu texto valia a pena ser lido!

E chegámos ao Museu do Marceneiro

Um espaço muito arranjadinho e acolhedor, o Museu do Marceneiro é o espelho da vida do Sr. Luís Silva, mais um  amigo que fizemos nestes anos a viver em Évora.
Anos de experiência, sabedoria familiar que não ficará esquecida.










Pão de Rala da Sra. D. Ercília! Do melhor que existe...

Hoje saímos da escola... Fomos visitar o Museu do Marceneiro, museu particular do Sr. Luís Silva, dos Móveis São Francisco.
Pelo caminho parámos no Pão de Rala, o meu local preferido em Évora para beber um cafezinho, claro, porque há sempre uns bolinhos deliciosos confeccionados pela doceira Ercília, a melhor das redondezas. E não é só pelas coisas maravilhosas que nos são apresentadas que gosto de lá ir, é pela simpatia e amizade com que sou sempre contemplada quando lá vou! E hoje não foi excepção!
Depois de ter a paciência de tirar estas fotografias com a criançada, ainda ofereceu queijadas e «beijinhos» a este grupo de gulosos compulsivos!
Obrigada, Sra. D. Ercília! Foi muito bom mesmo!





Diz a lenda que, durante o seu curto reinado,  o rei D. Sebastião visitou Évora, tendo sido acolhido pelas freiras Xabreganas do Convento de Santa Maria do Calvário. À chegada o rei estava cansado das durezas da viagem e do calor
que fazia, um valido real encarregado do protocolo, lembrou a Madre Abadessa da necessidade de oferecer qualquer coisa que reconfortasse o rei.
A monja, que há muito esperava em vão a ajuda do Paço para a sobrevivência do pobre convento, retorquiu que só havia uns "pães ralos", azeitonas e água; era o que havia e foi o que veio.
O rei comeu e apreciou e quando regressou a Lisboa, decidiu oferecer uma boa recompensa às monjas que o reconfortaram quando ele precisou.
Ficou assim conhecido o Pão de Rala, doce que deu nome à pastelaria conventual de Maria Ercília Zambujo na Rua de Cicioso.

Receita para quem quiser experimentar fazer…

Ingredientes:

20 gemas
500 gr de açúcar
3 dl de água
500 gr de amêndoa pelada e ralada
raspa de 1 Limão
1 chávena de chá de doce de gila
1 chávena de chá de fios de ovos
1 chávena de chá de ovos moles

Preparação:

Leve ao lume o açúcar com os 3 dl de água e deixe fazer ponto de fio (105ºC).
Junte a amêndoa ralada até obter um preparado espesso.
Retire do lume e junte as 20 gemas e a raspa do limão, mexendo muito bem.
Leve novamente a lume brando mexendo sempre para não queimar, e deixar espessar um pouco.
Retire do lume, deixe arrefecer e estenda a massa de maneira a formar uma rodela, no meio da qual se colocam fios de ovos e chila previamente misturada com os ovos moles.
Puxa-se a massa de forma a cobrir o recheio e a dar a forma de pão ao preparado.
Leva-se a forno brando (180-190ºC) em tabuleiro untado e forrado com papel vegetal durante 30/35 minutos. Deve ficar levemente tostado, como um pão.
Retira-se do tabuleiro só depois de frio, e polvilha-se com açúcar em pó, dando o aspeto de farinha.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

M.E.C., Os meus problemas

Os Portugueses têm algo de figadal contra todos os que tenham algo de fidalgal. Como as crianças, confundem muito a fidalguia, que é uma simples condição social, com a aristocracia, que é um sistema político em que o poder pertence aos nobres. E, no entanto, como diria Chesterton, não há mérito automático em ser fidalgo, nem vergonha em pertencer decididamente (como eu) à ralé.
Em Portugal a nossa civilização deve muito a duas classes minoritárias. Ambas são gente simples, com posses reduzidas e educação informal. Refiro-me, obviamente, à plebe e à nobreza. O pretensiosismo dominante, seja proletário ou possidónio, seja triunfalista ou disfarçado, encontra-se nas classes restantes, que constituem a grande maioria da população. Mas um pastor ou um pescador é tão senhor como um fidalgo. Como ele, vê o mundo de uma maneira antiga, em que cada coisa tem o seu lugar, o seu sentido e o seu valor. O pior é o operariado, a pequena, média e alta burguesia: enfim, quase toda a gente. É esta gente que se preocupa com a classe a que pertence. Enquanto o pastor e o visconde se ocupam, os outros preocupam-se. Os primeiros não querem ser o que não são. Os outros adorariam. Os primeiros aceitam o que são, sem vaidade. Os outros têm sempre um bocadinho de vergonha e por isso disfarçam, parecendo vaidosos.
Quem é fidalgo e quem é que quer ser?

Em Portugal existem três classes distintas. Há a classe dos fidalgos – os meninos “bem”. E depois há duas classes falsamente afidalgadas. Há os meninos “queques”, filhos de pais “queques” mas com avós que não. E há os “betinhos”, filhos de pais que, simplesmente, não.
O “menino bem” é aquele que não sabe muito bem em que século começou a fortuna da família. Geralmente é pobre, com a consolação irritante do passado rico. É muito bem-educado e jamais se lembraria de lembrar aos outros que é “bem”. O “queque” sabe perfeitamente que foi o avô ou o bisavô que abriu a fábrica ou a loja que enriqueceu a família. Geralmente é bastante rico. Embora tenha frequentado os colégios correctos, tem sempre um enorme complexo de inferioridade em relação aos “meninos bem”, o que o leva a fazer-se mais do que é. De bom grado trocaria grande parte da sua fortuna pela antiguidade e pelo prestígio de um bom título.
Finalmente, o “betinho” é aquele cujo pai nasceu pobre, indesmentivelmente operário. O betinho procura dar-se, em vão, com queques e meninos bem, mas a sua educação é formal e institucional, não familiar. É o mais rico de todos, mas é também o mais envergonhado. O betinho por excelência é aquele que não suporta a vergonha de um pai nascido entre o povaréu. Evita apresentá-lo aos amigos. Tudo faz para ocultar a sua proximidade genealógica ao vulgacho.
Tanto o queque como o betinho são o resultado de self-made man, homens que se levantaram pelas próprias mãos, quantas vezes rudes e calejadas e tudo o mais. O menino bem, em contrapartida, nem sequer compreende o conceito de self-made man. Porque é que um homem se há-de “fazer a si próprio” quando houve sempre pessoal, criados e caseiros, para se ocupar dessas tarefas desagradáveis?
Distinguem-se em tudo. A falar, por exemplo. O menino bem usa todas as formas de tratamento, desde “a menina” – A menina vai levar o Jorge ou vai sozinha no Volvo? – até ao “Psst, tu que fumas”.
O queque, por ser menos seguro, trata toda a gente por “Você”, incluindo os criados e as crianças (o que não é correcto, mas parece). O betinho, a esse respeito, está em absoluta autogestão. Tenta tratar mal aqueles que considera inferiores (demasiado mal) e bem aqueles que considera superiores (demasiado bem). No fundo é um labrego engraxado que julga sinal de aristocracia dizer os erres como se fossem guês.
O que caracteriza o menino bem é o seu total à vontade no mundo. Nunca se enerva, nunca hesita, nunca está muito preocupado. Haja ou não dinheiro. O menino bem dá-se bem com a pobreza e encara o sobe e desce da sorte com a naturalidade com que aceita a circulação do sangue pelas veias. Por isso dá-se bem com toda a gente. Nada tem a perder ou a ganhar.
Os queques não são assim. Pensam que nasceram para o brilho baço do privilégio. Vivem obcecados pelo dinheiro já que é o dinheiro que lhes permite comprar todos aqueles adereços (relógios Rolex, automóveis Porsche) que consideram indispensáveis ao seu estatuto social. Um menino bem, em contrapartida, nunca usa relógio – porque é que há-de querer saber as horas? O queque só se dá com pessoas “do seu meio”. Enquanto o menino bem tem aquele rapport feudal com caseiros, varinas e pedreiros, que constitui uma forma multissecular de intimidade, o queque aflige-se em “manter as distâncias” com esse gentião, precisamente por serem tão curtas.
O betinho é uma pilha de nervos. Ninguém o respeita. Dá-se quase exclusivamente com outros betinhos, do mesmo ramo de importação de electrodomésticos ou da construção civil. Não gostam de sair da sua zona. Os de Lisboa, por exemplo, só quando há uma emergência é que saem do Restelo. Ao contrário dos queques, evitam falar em dinheiro porque se sentem comprometidos. Esforçam-se mais por serem meninos bem do que os queques, que julgam já serem meninos bem. Andam sempre vestidos pelas lojas mais tradicionais (camisa aos quadradinhos, casaquinho de malha, jeans novinhos e mocassins pretos com correiazinha de prata ou berloques de cabedal), ao passo que os queques compram roupa mais moderna na boutique da moda. Escusado será dizer que os autênticos meninos bem andam sempre mal vestidos, com a camisola velha do pai e as calças coçadas do irmão mais velho. A única diferença é que as camisolas e as calças que têm em casa duram cem anos. Os avós já compram camisas a pensar que hão-de servir aos netos. Aliás, os fidalgos são sempre mais forretas que a escória.
No que toca aos hábitos alimentares, os meninos bem comem sempre em casa. Como as famílias são geralmente muito grandes (de resto, como sucede com o populacho), a comida é quase sempre do tipo rancho, ou sempre servida com muito puré de batata.
Os queques estão sempre a almoçar e a jantar fora, em grupos grandes com muitos rapazes e raparigas a exclamar: “Ai, já não há pachorra para o quiche lorraine!” Aqui se denunciam as suas verdadeiras origens sociais. Para um menino bem, comer fora é uma espécie de solução de emergência, quando não dá jeito comer em casa. Para um queque é um prazer.
Nas casas bem, a qualquer hora do dia, há sempre uma refeição a ser servida a um número altamente variável de crianças, primos, criadas, motoristas, tias, etc.
Nas casas queques as refeições variam conforme os convidados. Nas bem são sempre rigorosamente iguais. Os queques têm a mania dos restaurantes – conhecem-nos tão bem como os meninos bem conhecem (e odeiam) as cozinheiras. E os betinhos? Os betinhos tentam evitar as refeições o mais possível. Comem sozinhos em casa (os betinhos tendem a ser filhos únicos) ou levam betinhas a jantar. Porquê? Porque têm a paranóia de serem “descobertos” através dos modos de estar à mesa. Mas, na verdade, só são descobertos pelo seu excesso de boas maneiras. Um betinho à mesa está sempre “rijo”, atento, receoso de tirar uma azeitona por causa do terror de não saber lidar com o caroço. Os queques comportam-se como animais, espetando garfos nas mãos estendidas dos outros, soprando pela palhinha para fazer bolinhas no Sprite e atirando os caroços para martirizar o cocker spaniel. Quanto aos meninos bem, encaram as refeições como uma simples necessidade fisiológica. Comem e calam-se. Falam só para dizer “passa a manteiga” ou “Parece que houve uma revolução popular em Lisboa, passa a manteiga”.
Não são, portanto, os fidalgos que dão mau nome à fidalguia – são os queques e betinhos. Estes cultivam ridiculamente os “brasões” e as “quintas”, fingindo que não gostam de falar nisso. Em contrapartida, nas casas fidalgas, os filhos das criadas experimentam os lápis de cera nos retratos a óleo dos antepassados. E ninguém liga…
In “Os meus Problemas”
Miguel Esteves Cardoso

sábado, 7 de janeiro de 2012

Fernando Pessoa


Se sou alegre ou sou triste?...
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?
Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.
Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim...
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim...
Mas a alegria é assim...

Senhor Ministro da Saúde

Cobrar taxas moderadoras a doentes oncológicos é um CRIME. Os doentes oncológicos não têm culpa da sua doença, nomeadamente as doentes com cancro no colo do útero, entre outros. O já ser portador de cancro é doloroso quer para o doente quer para sua família. O Sr. não pode saber o que é, pois se soubesse não tomava esta medida criminosa.

Exigimos de imediato a suspensão desta medida.
 
Assinei esta petição, o texto é curto e, talvez, pouco esclarecedor... Cancro é cancro, o meu é da mama! A parte visível da coisa é a fase dos tratamentos de quimioterapia, os inchaços provocados pela medicação à base de cortisona que supostamente atenua os danos da quimio, os enjoos, a queda do cabelo e o ar horrível de quem está, de facto, a morrer! O resto não sabem, não imaginam as dores, as dores nas articulações, as mossas das operações, as limitações causadas pelo esvaziamento linfático, as coisas mais básicas que temos de deixar de fazer porque as dores não permitem ou porque as consequências de fazer esforços são devastadoras, as queimaduras dolorosas da radioterapia, a medicação feroz durante anos a fio.... Quem vive e passa por isto, aqueles que diariamente sofrem connosco, nós sabemos o quanto dependemos dos nossos médicos, principalmente do médico de família, eu dependo da minha Dra Teresa Neto, sem ela a minha vida teria sido bem mais difícil. Vezes sem conta tive de ir ao Centro de saúde, felizmente sem ter de pagar por ser «isenta». Nenhuma doença é comparável com outra, detesto comparações, mas o que se está a fazer aos doentes oncológicos ( e a todos os outros) é inqualificável. Gente sem alma, no mínimo...

Os que julgam que os médicos só querem dinheiro devem ler este texto, escrito por Tiago Tribolet de Abreu:

O “amor à camisola”

O Serviço Nacional de Saúde funciona 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana. Como é isso é feito?
Os enfermeiros e os auxiliares trabalham por turnos.
Os médicos não.
Os médicos têm um horário “normal”, X horas por semana (35, 40 ou 42 horas, conforme o regime de trabalho), em que fazem tarefas “normais”: cuidam dos doentes internados nas enfermarias, fazem consultas, exames complementares, cirurgias...
Dentro dessas horas “normais”, estão incluídas 12 horas de “urgência”. São horas em que prestam serviço nos Serviços de Urgência, Unidades de Cuidados Intensivos, Urgências Internas de apoio aos serviços, etc...
Porém, as 12 horas semanais de “urgência” de todos os médicos não chegam para assegurar o funcionamento 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana, de todos os serviços de saúde que não podem parar.
Por esse motivo, há mais de 30 anos que, por lei, os médicos podem ser obrigados, mesmo que não queiram, a fazerem até 12 horas extraordinárias de trabalho por semana.
O problema é que, mesmo essas 12 horas extraordinárias de todos os médicos não chegam para assegurar o funcionamento 24 sobre 24 horas, 7 dias por semana, semana após semana, de todos os serviços de saúde que não podem parar.
Então, já há muito tempo, os médicos trabalham o seu horário semanal habitual, trabalham as 12 horas extraordinárias a que são obrigados por semana, e, muitas vezes, trabalham ainda mais períodos de 12 ou 24 horas extraordinárias a que não são obrigados, mas a que se dispõem mesmo assim. Porquê? Por motivos de dois tipos:
1) motivos financeiros: as horas extraordinárias são pagas a um valor que permite aos médicos aumentarem o seu vencimento mensal.
2) “amor à camisola”: os médicos trabalham para instituições às quais sentem pertencer. O prestígio da instituição é o seu prestígio. O desprestígio da instituição é também o seu. Quando um colega lhes diz “tenho um buraco na escala de urgência da próxima semana, não me fazes um favor e fazes mais 12 horas?”, com frequência dizem que sim, por sentirem ser um pouco o seu “dever” assegurar o funcionamento sem falhas da “sua” instituição.
O problema é que este “amor à camisola” já há alguns anos que já não existe, que é passado. Porquê?
Os médicos deixaram de pertencer ao “quadro” do hospital, passaram a ser contratados a Contratos Individuais de Trabalho. As vantagens não financeiras desapareceram (ADSE, apoio na doença, segurança no trabalho e nas regras de contratação, etc..). Deixou de haver impedimento às mudanças de médicos de um hospital para outro, o que passou a acontecer com frequência. Passaram a trabalhar nos hospitais, nomeadamente nas urgências, médicos “free-lance” que fazem 12 horas de urgência neste hospital, 12 horas no outro hospital, sem pertencerem propriamente a nenhum. Os médicos deixaram de “pertencer” a este ou àquele hospital, e passaram a existir no hospital muitos médicos que lá vão trabalhar só umas horas. E daqui a uns meses já são outros.
Desapareceu o “amor à camisola”.
Sobraram os motivos financeiros. Mesmo com estes, sempre foi difícil arranjar médicos para assegurarem todos os serviços, 24 sobre 24 horas. E agora...
Com o novo Orçamento de Estado, o Ministro da Saúde acabou com este último incentivo às horas extraordinárias. E abriu uma Caixa de Pandora da qual não se apercebeu.
Após anos e anos a fazerem horas intermináveis extra nas urgências, os médicos já não têm agora nenhum motivo para as fazerem.
Já não são obrigados por lei a fazerem horas extra.
Já não lhes é financeiramente compensador fazerem horas extra.
Já não sentem os problemas da instituição como “seus”.
Os serviços não funcionam sem as horas extra dos médicos. Mas estes estão fartos. Aceitaram o corte de 10% no vencimento em nome da crise (como todos os outros funcionários públicos). Aceitaram o corte de 2 ordenados em nome da crise: total 23% do vencimento (como todos os outros funcionários públicos). E até aceitam o corte no preço pago pelas horas extra. Só não aceitam é fazê-las.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Para a malta do 6º ano...

Consulta aqui o que tens de saber sobre a

Freak Power - Turn On, Tune In, Cop Out

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Não deixe o amor passar - Carlos Drummond de Andrade


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante,e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba
existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino: o Amor

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre arbítrio.Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o Amor!!

Ben Harper #3

Le Petit Nicolas

Greg Laswell - And Then You

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

U2 - Tomorrow

Nothing hurts like someone who knows everything about you leaving you behind

When you called
Your voice was so grave
I knew it would be
The last time we spoke

You said something
That i could not hear
To hear with my own ears
The last time we spoke

And it's a hard time
Trying to get through
All the days that drag on
Thinking about you




And it's a hard time
Trying to get through
All the days that drag on
Thinking about you

When you called
You might as well have killed me
And that was the last time
The last time we spoke


terça-feira, 3 de janeiro de 2012


Eels - From Which I Came A Magic World

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Pensamento do dia!

Há amig@s especiais, muito especiais...
Há outro tipo de gente que se diz amigo a troco de qualquer coisa desde que dê jeito! O pior é quando as pessoas especiais, por o serem, se magoam, se atormentam, se reservam e resguardam, se privam da felicidade e do bem-estar por conta de serem assim, especiais.
Por isso, esta mensagem é dedicada a quem se move num círculo armadilhado, em que o ser é menos importante do que o parecer, em que a verdade é um incómodo, em que o que é preciso é brilhar à custa do trabalho e esforço de quem, de facto, brilha sem esforço, porque é brilhante!
Não vale a pena, neste círculo a alma fica pequena, muito pequena... Mas tudo vale a pena, quando tudo somos nós, @s amig@s, a família, @s alun@s por quem fazemos mais do que podemos, para quem trabalhamos, por quem lutamos, aqueles cujo futuro tocamos.
Às vezes temos de parar, para pôr tudo em perspectiva, mas depois... Depois que venham, venham, porque estaremos prontos!
Um beijinho para a minha amiga especial.

Defective Detective


Tu...


Dizer que tenho mau feitio... Podes dizer à vontade! Provavelmente será uma grande verdade! Dizeres que me queixo... Nunca me viste queixar-me! E se o fizesse, fá-lo-ia com a legitimidade com que qualquer um o faz!
Este é um espaço onde partilho muita coisa, até coisas que nem toda a gente entende que eu partilhe, nem tem de entender, é um espaço aberto, aberto àqueles a quem chamamos amigos, apesar de não os conhecermos, apesar de não os vermos há muito tempo. Mas para além disso, é um espaço onde me reúno com a minha família, com os meus filhos...
Não é um espaço de conflitos, de amarguras e muito menos de constrangimentos, sejam eles quais forem! Não é um fórum onde cada um dá sentenças. E quando dizes que dirias o mesmo a qualquer outra pessoa, qualquer outra pessoa não sou eu...
         Não sabes nada da minha vida a não ser o que te conto... Não me conheces! Tu, com todos os teus problemas, não tens nada de minimizar os problemas dos outros, sejam eles quem forem! Não sabes nada! Não tens noção e não tens o direito de fazer os outros sentirem que o seu sofrimento é menor do que o teu. Esse direito eu não to confiro.
         A tua vida gira à tua volta, mas não à volta da dos outros...

George Harrison If Not For You

Paul Simon, Father and daughter

If you leap awake in the mirror of a bad dream
And for a fraction of a second you can't remember where you are
Just open your window and follow your memory upstream
To the meadow in the mountain where we counted every falling star

I believe a light that shines on you will shine on you forever
And though I can't guarantee there's nothing scary hiding under your bed
I'm gonna stand guard like a postcard of a Golden Retriever
And never leave 'til I leave you with a sweet dream in your head

[Chorus:]
I'm gonna watch you shine
Gonna watch you grow
Gonna paint a sign
So you'll always know
As long as one and one is two
There could never be a father
Who loved his daughter more than I love you

Trust your intuition
It's just like goin' fishin'
You cast your line and hope you get a bite
But you don't need to waste your time
Worryin' about the market place
Try to help the human race
Struggling to survive its harshest night

Paul Simon - Father And Daughter

Pai e filha

domingo, 1 de janeiro de 2012

Dia Internacional da Paz, Jonh Lennon

Two, one two three four
Everybody's talking about
Bagism, Shagism, Dragism, Madism, Ragism, Tagism
This-ism, that-ism, is-m, is-m, is-m.

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

C'mon
Everybody's talking about Ministers,
Sinisters, Banisters and canisters
Bishops and Fishops and Rabbis and Pop eyes,
And bye bye, bye byes.

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

Let me tell you now
Everybody's talking about
Revolution, evolution, masturbation,
flagellation, regulation, integrations,
meditations, United Nations,
Congratulations.

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

Everybody's talking about
John and Yoko, Timmy Leary, Rosemary,
Tommy Smothers, Bobby Dylan, Tommy Cooper,
Derek Taylor, Norman Mailer,
Alan Ginsberg, Hare Krishna,
Hare, Hare Krishna

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

John Lennon Give Peace a Chance(HD)