quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Noca, vamos morrer de saudades...


23 de Agosto de 1997, à porta de um supermercado, só faltava um letreiro a dizer "levem-me!" e nós levámo-la para casa, morta de fome, com mais pulgas e carraças do que pêlo e tão pequenina que cabia na nossa mão!
Roeu tudo o que pôde, cuecas, meias, t-shirts e pijamas... pernas de mesas e de cadeiras, cortinas e guardanapos...
Ocupou e ocupa o espaço que entendeu ser o dela, em casa, o da nossa vida, entrou de corpo, alma e coração na nossa família, fazendo parte dela de pleno direito, o amor que trouxe consigo conferiu-lho. Arranjei-lhe um "espacinho" na minha cama, porque a dela não era do seu agrado, a seguir ao acidente grave que sofreu num dia em que saiu de casa desembestada e foi atropelada. Uma fractura exposta na pata foi o resultado, mas a recuperação foi plena e o lugar na nossa cama ficou garantido para a vida...
A Sra. D. Noca, como a minha amiga Helena se refere a ela, a Noquinha ou a Nokia para os miúdos, dependendo dos dias, é a primeira a ir para a mesa, a primeira a sentar-se no carro, sempre pronta para o passeio, para a caça às lagartixas, porque à caça, propriamente dita, nunca foi, contrariando o seu instinto sempre à flor da pele.
Companheira dos dias difíceis, dos muito difíceis e de todos os outros... Sempre aqui, sempre ao lado, sempre connosco... cresceu connosco e fez-nos crescer!
Um amor incondicional, dedicação total, fiel amiga. Sofre sem se queixar, ainda tem tempo para vir lamber as mãos e pedir festas, sabe que não está bem mas não se lamenta. Só está ali, quietinha...
Cão é cão, não tenham dúvidas, mas é um privilégio ter um cão assim.
Obrigada Noca por tudo o que nos deste, pelo que nos fizeste sentir, pelas gargalhadas e pela irritação de ver tudo roído, pelas noites frias em que nos aqueceste, obrigada Noca...

0 comentários: