Vários antigos alunos do curso de veterinária da Universidade de Évora (UE) acusam esta instituição de cães vivos saudáveis como cobaias. O director do Hospital Veterinário esclarece que só são usados "pontualmente" cães que já estavam destinados a abate pelo canil municipal. A autarquia abriu um inquérito.
Na edição de hoje do Jornal de Notícias, actuais veterinários e antigos estudantes dizem que há vários anos a UE usa cães vivos saudáveis em aulas de anatomia. "No meu primeiro ano do curso foi utilizada uma cadela para a parte da prática da disciplina de anestesiologia. Todos os dias, de segunda a sexta-feira, aquele animal foi anestesiado e acordado. Até que no último dia foi abatido", contou uma aluna, revelando que no segundo ano os cães eram "abertos" para os estudantes aprenderem a "retirar órgãos". "Cheguei a simular cesarianas em cadelas que não estavam grávidas e retirei órgãos, como o útero e os ovários", acusou outra aluna.
Uma veterinária do Sabugal pagou uma formação em ecografia e saiu de lá "chocada" por os cães estarem vivos, "cheios de pulgas e carraças", e de ter sido recusado a uma das suas colegas a adopção de um dos animais.
À Lusa, o director do Hospital Veterinário da UE, José Tirapicos Nunes, argumentou que são usados "pontualmente" cães vivos, de preferência com algumas patologias ou para fazer ecografias, mas apenas aqueles que já estavam destinados ao abate no canil da cidade, pois é isso que ditam as regras. "Em vez de os mandarem já abatidos, pedimos que os mandem vivos para intervenções mais específicas. (...) Nunca recebemos animais que não estivessem para ser abatidos", vincou o responsável,, indicando que são usados nas aulas não só cães, como gatos ou outros animais.
Os animais, segundo José Tirapicos Nunes, "são sempre anestesiados e depois eutanasiados, antes de acordarem da anestesia". Também animais já abatidos são utilizados nas aulas de anatomia do curso de Medicina Veterinária, disse o responsável, garantindo que "são sempre cumpridas as regras". "Queremos formar técnicos o melhor possível e, por isso, é necessário os alunos observarem os animais", sublinhou.
A autarquia eborense e a universidade têm em vigor um protocolo para a incineração de cadáveres, como o caso de cães vítimas de atropelamento na via pública. O presidente da Câmara de Évora já revelou hoje à Lusa que abriu um inquérito para averiguar o funcionamento do canil municipal e apurar eventuais responsabilidades, após denúncias mútuas entre o responsável do serviço, acusado por duas veterinárias de "abate ilegal" de sete cães já com "processos de adopção finalizados"

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