quinta-feira, 7 de abril de 2011

Eu sinto a maresia em mim, Maria G.

Eu senti que o mar poderia fazer-me mal por isso afastei-me. O cheiro da maresia desperta uma sensação de descontracção e felicidade, mas o barulho que faz quando as ondas são grandes já não é tão agradável, é simplesmente barulhento e assustador.
    As gaivotas acompanham-me enquanto fujo e me aproximo das ondas do mar.
    Quando o mar recua, sinto que este é impotente e por isso enfrento-o para ele continuar com medo de mim, mas quando é ele a ameaçar-me, é melhor fugir para não ser apanhada. Quando ele está calmo, eu sinto que é seguro molhar os pés.
    O céu branco e sem nuvens ilumina toda a praia, quando eu consigo ver a praia toda, é como se conseguisse ver o mundo inteiro.
    Quando a água do mar aquece e eu lhe toco sabe bem.
    Ver as conchinhas, pedras e búzios, através da água no chão, faz-me sentir feliz por elas porque sei que estão em casa muito aconchegadas e seguras.
    Gosto de ver a espuma com que o mar fica quando bate nas rochas, é como quando eu bato com a perna numa rocha e fico com uma ferida, a minha mãe põe-me água oxigenada nela e também faz espuma. 
     Mas de certa forma tenho pena dele.
    As gotas que saltam para todo o lado quando o mar vem atrás  de mim são engraçadas, salpicam-me toda.
    Imaginar que a areia é leite-creme também é realmente giro pois consigo mesmo sentir o seu sabor, mas quando não estou a pensar em leite creme consigo sentir o calor que vem da areia a subir-me pelos pés acima.
    As gaivotas que voam no céu e sobrevoam o mar, têm como função dar o sentimento da alegria ao céu, dão-lhe movimento e furam as nuvens com as suas grandes asas brancas que fazem lembrar a paz.
   Mesmo assim com algumas coisas más eu adoro ir à praia.

A partir da obra Onda de Suzy Lee, Gatafunho

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