sábado, 29 de outubro de 2011

Todas as cartas de amor são ridículas.

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

ÁLVARO DE CAMPOS

2 comentários:

Helena Perdigão disse...

Este piano é lindíssimo e joga muito bem com tudo o resto!

Este blog, está mais que visto, é de grande qualidade, a todos os níveis!

A sua autora é uma artista que não se quer (ainda) mostrar no campo das letras... mas, com passitos pequenos, vai lá!

muitos beijinhos!

Lena Barreto disse...

Amigas assim... um privilégio...
Um bj