Era uma vez
um português de Portugal. O nome Luís há de bastar toda a nação ouviu falar. Estala a guerra e Portugal chama Luís para embarcar. Na guerra andou a guerrear e perde um olho por Portugal. Livre da morte pôs-se a contar o que sabia de Portugal. Dias e dias grande pensar juntou Luís a recordar. Ficou um livro ao terminar muito importante para estudar: Ia num barco ia no mar e a tormenta vá d'estalar. Mais do que a vida há de guardar o barco a pique Luís a nadar. Fora da água um braço no ar na mão o livro há de salvar. Nada que nada sempre a nadar livro perdido no alto mar. _ Mar ignorante que queres roubar? A minha vida ou este cantar? A vida é minha ta posso dar mas este livro há de ficar. Estas palavras hão de durar por minha vida quero jurar. Tira-me as forças podes matar a minha alma sabe voar. Sou português de Portugal depois de morto não vou mudar. Sou português de Portugal acaba a vida e sigo igual. Meu corpo é Terra de Portugal e morto é ilha no alto mar. Há portugueses a navegar por sobre as ondas me hão de achar. A vida morta aqui a boiar mas não o livro se há de molhar. Estas palavras vão alegrar a minha gente de um só pensar. À nossa terra irão parar lá toda a gente há de gostar. Só uma coisa vão olvidar o seu autor aqui a nadar. É fado nosso é nacional não há portugueses há Portugal. Saudades tenho mil e sem par saudade é vida sem se lograr. A minha vida vai acabar mas estes versos hão-de gravar. O livro é este é este o canto assim se pensa em Portugal. Depois de pronto faltava dar a minha vida para o salvar. |
terça-feira, 8 de maio de 2012
«Luís, o poeta, salva a nado o poema», Almada Negreiros
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