sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Velhos?



           O meu pai era velho. Sempre foi velho. Quando me apercebi da sua idade, era muito mais velho do que os pais das pessoas da minha idade. Os outros pais tinham trinta, já o meu pai tinha cinquenta. É o que dá casar e ter os filhos tarde. Mas podia não ser velho! No entanto era-o. A sua idade sempre foi um peso pesado.

            A minha mãe também não era nova, apesar de, ainda assim, ter uma idade menos pesada do que a do meu pai, as outras mães tinham trinta e a minha já rondava os quarenta e tais… Era outro peso, menos pesado, as suas risadas nos (raros) dias de boa disposição tiravam-lhe o peso da idade que sempre carregou. Hoje tem noventa, velhota, é verdade, muito velhota…

            Pois eu decidi que não vou ser velha. Posso ter muitos anos, já cá cantam cinquenta e três, para quem achava que alguém com cinquenta era velho…isto tem o que se lhe diga!

            Mas a idade é um posto. Não é uma sina! Nem sou como aquelas pessoas que não querem «fazer anos», melhor dizendo, celebrá-los! Pois eu quero, com os meus do meu lado, porque não celebro anos, celebro vida! E essa é para ser celebrada!

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