O
meu pai era velho. Sempre foi velho. Quando me apercebi da sua idade, era muito
mais velho do que os pais das pessoas da minha idade. Os outros pais tinham
trinta, já o meu pai tinha cinquenta. É o que dá casar e ter os filhos tarde.
Mas podia não ser velho! No entanto era-o. A sua idade sempre foi um peso
pesado.
A minha mãe também não era nova,
apesar de, ainda assim, ter uma idade menos pesada do que a do meu pai, as
outras mães tinham trinta e a minha já rondava os quarenta e tais… Era outro
peso, menos pesado, as suas risadas nos (raros) dias de boa disposição
tiravam-lhe o peso da idade que sempre carregou. Hoje tem noventa, velhota, é
verdade, muito velhota…
Pois eu decidi que não vou ser
velha. Posso ter muitos anos, já cá cantam cinquenta e três, para quem achava
que alguém com cinquenta era velho…isto tem o que se lhe diga!
Mas a idade é um posto. Não é uma
sina! Nem sou como aquelas pessoas que não querem «fazer anos», melhor dizendo,
celebrá-los! Pois eu quero, com os meus do meu lado, porque não celebro anos,
celebro vida! E essa é para ser celebrada!

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