Por esta hora, andávamos nós a subir e a descer escadas com a tralha às costas para começar (mais) uma etapa das nossas vidas. Deixava para trás uma vida de tristeza, de angústia e de muita ansiedade, com a esperança de nunca mais voltar a sentir-me tão triste como fui naquela terra.
Feito um possível balanço, dezassete anos é muito tempo, com todo o calor, infernal e insuportável, apesar dos constrangimentos inerentes ao que fazemos, bem ou mal, apesar do sofrimento causado pelo cancro, foi aqui que me tratei, foi aqui que consegui «ficar», com a esperança de ir para perto dos meus filhos e do mar.
Não adoro esta terra, mas adoro a minha casa. Não adoro a minha escola, mas adoro (muitos, não todos) os meus alunos. Detesto estar sem os meus filhos, mas adoro estar com os meus cães. E adoro o tempo que passo com a minha família nesta casa, mesmo que seja pouco, muito pouco.
Se faria o mesmo? Tinha de o fazer... Saí de Lisboa para ser feliz! Saí das Caldas para não ser infeliz! Não sei quando sairei de Évora, nem se alguma vez conseguirei sair... Gostava de ir para o pé do mar. Dezassete anos é muito tempo.

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