Dizer que detesto setembro já é um lugar comum, corriqueiro, recorrente... Quem me conhece, quem me lê já sabe!
Depois de ter entregue a Inês a uma educadora no suposto «transporte» para a creche, sair de casa para ir ao pão, aproveitar para ir ao Machado comprar um croissant num pulinho e voltar para casa a correr, para não chegar atrasada à boleia combinada... e não chegar a lado nenhum, nem a casa, a não ser três meses depois. Uma viagem alucinante ao mundo dos acidentes na estrada, às urgências dos hospitais, às desgraças anunciadas, às perdas, aos medos maiores, de perder tudo, os filhos, o amor da nossa vida, a vida... «Vou morrer?», «Vamos fazer tudo para que isso não aconteça...», «Domingos, vai ter de escolher, a sua mulher ou o seu filho, em caso de a coisa correr mal...». Inimaginável antes de sair de casa. O céu pode esperar foi a merda de filme que vi dias antes e depois foi pedir insistentemente que o céu esperasse, não queria ir já, mesmo que não fosse para o céu! Não me levem, ainda não... tenho uma filha pequenina e um bebé a caminho, não me levem, Deus, não me leves! E não me levou, dou graças todos os dias por não me ter levado. E peço todos os dias que me deixe ver os meus filhos mais vezes, sempre que possível, quero ter trabalho com os seus casamentos, com os seus filhos, longas conversas com o meu marido sobre tudo, a propósito de tudo, sobre os meus netos, ir passear com eles...
Já passaram vinte e seis anos, mas foi ontem. As deceções, as dores, a falta de apoio e de respeito quando mais se precisa. Não se pense que se esquece... Não. Não se esquece e não é pelo rancor ou pela mágoa, é mesmo só pela tristeza que nos causaram, quando sabiam muito bem o que estavam a fazer!

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