domingo, 19 de junho de 2022

Babaá!

       Ouvir os meus netos a chamar por mim «Babá!» é precioso. Os espanhóis usam devidamente este adjetivo, já nós, somos demasiado preciosistas para o fazer, mas é o que é: precioso, efémero...

      O Tomás chegou em setembro, em plena pandemia, há quase dois anos, foi o tempo em que deixei o blogue a pairar na rede, olhava de vez em quando para o ícone, mas não abria, deixa-o estar que estás bem assim. Mas não estou, nem estive. Trancados meses a fio em casa com medo do COVID, que nome esse, que praga! Máscaras, medo, uma merda. Trabalho no computador, pais a meterem-se nas minhas aulas, gente mal formada, mal educada, sem escrúpulos, um inferno pegado. O que podia ter sido uma experiência a manter pelo grau de diferença que se impôs, recurso a todas as novas tecnologias ao nosso dispor, foi um motivo para ingerência no nosso trabalho, na nossa casa, nas nossas vidas. E ainda não passou, a puta da pandemia, ainda anda por aí, como o outro. Mas o que ela nos trouxe foi uma vontade imensa de sair. Sempre a querer, desesperadamente, sair de casa, dormir e comer fora, longe de Évora... Foram dois anos de gastos imensos em dormidas e comidas, que me souberam lindamente, mas convenhamos que não é possível manter este luxo, não somos ricos, o que é uma pena. Tem sido bom e aproveitei todos os pedacinhos, bocadinhos de tudo. A última noite foi no palácio de Queluz, terra sem encanto, depois de um almoço em Peniche, terra suja, mal cheirosa e feia, de que nunca gostei. gostava das idas ao Baleal, onde era sempre bem recebida até deixar de ter vontade de lá voltar. O Afonso perdeu a madrinha e eu uma (suposta) amiga, que não percebia por que é que eu continuava com o Domingos. Foi melhor assim, preferi perder a madrinha do Afonso a perder o Domingos, por mais dificuldades financeiras que pudéssemos ter.


    Vale tudo para estar com os meus pequeninos, quase tudo, porque não quero que fiquem fartos de mim, de me ter de volta deles o tempo todo, mas o certo é que ganho tempo de vida quando estou com eles e definho aqui...  O calor, cada vez mais insuportável, gasta-me, desgasta-me, os silêncios matam-me devagar, a passo certo. Depois vem um «Babá!» e o meu coração dispara! Os meus amores mais pequeninos, os grandes já não são como eram, vão-se entre os meus dedos, escorrem. Mas é assim, fazemos escolhas, todos as fazemos. Nas minhas, tenho excluído muitos daqueles que fizeram parte da minha vida, por esta ou aquela razão, tornaram-se dispensáveis ou indispensável serem dispensadas. A mãe dizia para eu não ser assim, porque poderia vir a precisar das pessoas, mas nunca segui o conselho, não me pareceu adequado. Os amigos não são para as ocasiões, esses são os conhecidos. Por isso, tenho uma coleção de conhecidos e uma mão cheia de amigos, não preciso de mais. Diz-se que a quantidade de  amigos de alguém a define, quantos mais melhor pessoa! Será! Nem questiono, o que faz de mim uma pessoa poucochinho, certamente com poucas qualidades, acredito que sim. 

    No entanto, aqui estou! Voltei, melhor, é certo, mas sem estar bem, prozacodependente, sem muita vontade para muita coisa, um pouco preguiçosa no que respeita o que não me apetece, mas dedicada às minhas paixões, sempre. Sempre à espera (MAS NÃO SENTADA) do que não tenho e quero, agarrada ao que tenho e que não quero perder, sem lágrimas, secaram para e por alguns. De braços abertos para abraços para aqueles de quem gosto muito, os abraços também são preciosos.


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