Quem me dera ser uma parede para ouvir as
conversas todas, mas sendo parede não podia sair do mesmo sítio.
Então queria ser um sapato para poder viajar
por todo o lado, mas sendo sapato, passado algum tempo cheirava mal.
Então queria ser uma árvore para poder estar
sempre na natureza e ouvir os passarinhos a cantar, mas sendo árvore nos dias
de inverno chovia em cima de mim e nos dias de verão ficava com calor ao sol.
Então queria ser uma cama para poder
ficar deitada o dia todo, mas sendo cama teria de pegar numa pessoa ao colo
todas as noites e não poderia dormir.
Então queria ser um livro para saber todas as
histórias e contos, mas sendo livro podiam rasgar as minhas páginas.
Então aí podia chegar à conclusão que não
queria que me dessem nada para não ser eu mesma. E assim podia sair do mesmo
sítio, podia não cheirar mal, podia sair do sol e da chuva, podia dormir sem
ter de pegar numa pessoa ao colo e não me rasgariam. Não me deem nada para não
ser eu mesma!
Vera Cristina Carrasco Sebastião
6º F
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