Sou professora!
E convenhamos, ele há greves e greves...
Tenho três turmas, ainda só fiz uma reunião. A minha direção de turma, para gáudio de algumas imbecis, professoras, dizem elas que o são, ainda não se realizou... não por minha responsabilidade, mas porque alguém, com toda a legitimidade, decidiu fazer greve. Ao que parece, eu teria ficado furiosa. Engano! Fico furiosa à conta de ordens e contra-ordens! Porque, a direção da minha escola assentou arraiais na escola-sede do agrupamento, que deixou de ser a minha, porque ninguém se entende, porque, porra, estou farta desta porcaria da austeridade que não reconhece direitos nem deveres a ninguém, só uma obediência cega, seja ao MEC ou aos sindicatos...
Deixei de ser sindicalizada num dos sindicados há 20 anos, exatamente pela mesma razão que nos move hoje, roeram a corda numa altura crucial, e o ME, na altura, levou a sua à frente, porque os sindicatos deixaram-se «comer». Cheguei ao Alentejo, em 97, e fiquei estarrecida com a facilidade com que certas pessoas entravam nas escolas e agrediam os profs, por dá cá aquela palha! Achei que talvez fossse melhor, dado o meu temperamento, filiar-me «no outro sindicato»... Mas chegou janeiro deste ano e o melhor foi mandar os sindicatos às urtigas. É só ver o património de uns e de outros, os casos que são resolvidos, os interesses individuais... e por aí a fora! Assim sendo, para além de não sentir que tenho cidade (Lisboa, minha Lisboa...) não me revejo nesta gente que diz representar-nos! Muitas delas (pessoas) já reformadas e longe do alcance destas medidas horrorosas que pretendem aplicar-nos, cegamente.
Pois, como já disse, ainda não fiz greve às avaliações, sou contra isso, e vão-me ao ordenado, que comparando com a época em que tive cancro, já reduziu em 800 euros, o que não dá para pagar o vencimento do meu mais que tudo... Problema nosso, é verdade!
Agora, ser convocada para vigiar/ser coadjuvante numa escola que não é a minha, obrigando-me a desempenhar funções para as quais nunca, em condições «normais», nunca fui destacada, aparecer, tipo ovni, numa escola que não é minha, para «furar» uma greve (independentemente das razões que assistem a quem a faz na escola de origem) isso NÃO o faço. Lá se vão 100€ no meu ordenado, lá se vai a aula suplementar que tinha agendado com os meus alunos que vão a exame no dia 20, e que bem precisam de ajuda, mas que tive de suspender, de tal modo fiquei aparvalhada com a convocatória que fui obrigada a assinar...
Estou danada, confusa, furiosa, revoltada, pior que estragada e farta desta merda.
Não podiam adiar a merda do exame para dia 20?
Têm mesmo de fazer finca pé face aos sindicatos, carregadinhos de razão?
Sabem quanto tempo demora a fazer um teste? ELABORAR? e CORRIGIR?
Não falo pelos outros, por aqueles por quem sinto uma vergonha imensa, que dizem «tu fizestes...», «estou aquase farta...», «há aí uns quaisqueres...» e por aí a fora, os «póssamos, os tênhamos e os fáçamos» que continuo em crer (eu e o corretor ortográfico do meu computador, pobre coitado) que sejam uma minoria, falo/escrevo em nome daqueles que não nasceram professores, que levaram nas orelhas para crescerem, que hoje são Professores, acima de tudo grandes profissionais, que estão sempre disponíveis para ouvir, apoiar, ensinar, discutir ideias, resolver problemas, mas sobretudo para dar um abraço ou um beijinho quando os nossos miúdos estão tristes, e a primeira coisa que dizem quando chegam à escola é «professora, dê-me um beijinho...»

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