Desculpem-me os fundamentalistas, mas tem de ser assim! Quando temos os filhos longe de casa, a trilharem os seus próprios caminhos, a fazerem escolhas, opções, a decidirem onde passam a Páscoa, o Natal ou o dia da Mãe... e talvez estas sejam as decisões mais fáceis que terão de fazer ao longo das vidas... não há nada como conciliar para não constranger ou gastar o que não se pode! Sim, temos uma crise...
É tão fácil criticar! mas tão fácil... Mais difícil é saber o que fazer, na altura certa. Decidir bem. Ter certezas! Saber que estamos a fazer o melhor. Pensar que, se tivéssemos de voltar atrás, faríamos a mesma coisa?!
É tão duro, quando batemos connosco na realidade, quando descemos à Terra, quando olhamos para os olhos dos nossos filhos e pensamos que fizemos a escolha errada, tomámos decisões que os afetaram de tal forma que nunca, mas nunca nos vão desculpar!
Senti isto mil vezes! Mais de mil vezes! Cada vez que saía de Lisboa em direção às Caldas (onde nunca fui feliz) e a Inês chorava até adormecer e perguntava: «Porquê? Por que é que não vivemos em Lisboa?».
Apesar de ter resposta para lhe dar, ela nunca a entenderia. É daquelas opções que fazemos quando nos zangamos com a vida, eu zanguei-me com Lisboa. Queria fugir... E fugi. Por vezes achei que ainda estava perto demais. Hoje acho que estou demasiado longe. Mas mais uma vez, são as nossas escolhas! Não sei se faria as mesmas, passados trinta anos. Sei que fiz o que, na altura, me pareceu bem, certo! Hoje não tenho muitas certezas. Afinal ser adulto não quer dizer muito! Temos a experiência, a idade, os desgostos e as alegrias, as expectativas goradas, frustradas, e os sucessos. Mas certezas... Essas, afinal, não as temos! Só algumas: quero ser a melhor mãe que conseguir ser, uma boa sogra e uma avó adorada! Isso eu sei!
Por isso, se tiver de antecipar uma semana o dia da Mãe para poder estar com os meus filhos, o que é que isso tem? Calha-me lindamente no 26 de abril, logo a seguir ao dia da Liberdade!

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