Ouvir isto de alguém... É tão bom, tão comovente... Este ano foi difícil, mais um com dramas pessoais, tão duros, tão injustos. Perder um aluno, uma turma arrasada pela perda, miúdos pequenos para quem esta foi a primeira perda. Ir com eles à igreja, estar no mesmo espaço em que está um corpo de uma criança com quem convivemos, com os familiares inconsoláveis, um destroço de vida. Como explicar que a morte faz parte da vida a miúdos, principalmente a morte de um miúdo.
Sábado de manhã, toca o telefone, «Lena, está em casa? Posso ir aí?». Claro, vem... «O meu primo está em morte cerebral e eu não sei o que hei de fazer.». Ó miúda, não tens de fazer nada, só tens de ser como és, uma miúda querida... E correu bem. Foi para casa mais tranquila, já eu não, fiquei lavada em lágrimas mas orgulhosa por ela se ter lembrado de mim, quando quis sair de casa para arejar, porque já não aguentava mais.
Às vezes, sinto-me tão inútil, tão vazia... E depois há estas coisas que me preenchem, que dão algum sentido à minha vida.

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