quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Balanços

Que ano este!
Seduzida pelas redes sociais, e a propósito de um jogo (eu que nunca jogo, mas era para me distrair depois de tanta tristeza pela morte da Noca), lá me deixei levar pelo Facebook! E, apesar de digerir sempre muito mal a questão dos "amigos", sejam eles reais ou virtuais, às vezes bem mais amigos do que os supostamente reais, lá me fui enrolando nesse mundo fantástico em que não há nem longe nem distância!
Pois foi, horas e horas perdidas a plantar e a colher tomates e flores, a comprar bicharada e maquinaria, a suplicar que me enviassem de tudo um bocadinho, a levantar-me um bocadinho mais cedo para ter tempo de colher umas merdices que se estragariam se não fossem colhidas... e no meio de tanta agricultura apareceram os "amigos"! Tantos, tantos que fui ficando inebriada com tanto encontro e reencontro! Gente perdida nas memórias de há mais de trinta anos! Parecia que se tinham retomado conversas interrompidas há cinco minutos! Como é possível? Como se recuperam amizades interrompidas? Assim, de repente!? Amizades que deixaram de o ser, mas que por via deste mundo fantástico se reestabelecem como se o tempo não tivesse passado por nós!
E mais! Como se resolvem questões que nunca foram resolvidas no nosso passado? Como enfrentar os nossos fantasmas que nos aparecem sem serem convidados no nosso mural, com comentários, apreciações, "gosto" por ali fora como se nada fosse... Pois! Parece fácil, mas não é! Nada fácil! Para resolver questões passadas, abrimos brechas horrorosas no presente! Para não falar de paixonetas virtuais, romances à distância de um clique e famílias em risco...
Reencontros desejados misturados com sentimentos mal resolvidos, reencontros irrecusáveis embrulhados com questões longínquas, remotas, apagadas e, bolas! recuperadas para nos atormentar e atazanar a vida! 
De repente aparecem-nos esqueletos no sótão! De repente "não sabia!"... "não me contaste!"... "quem é essa?" De repente, "Mas o que é isto?" e pronto, lá me viro de avesso e fecho a conta, mas é sempre temporário, à espera que me passe a travadinha, à espera de não darem pela minha falta (felizmente há aquelas pessoas, amigos virtuais reais que dão pela minha falta e chamam-me... e eu fico feliz!).
Mas é assim! Complicado para quem, como eu, tem a cabeça desarrumada, muito desarrumada no que toca às emoções...

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