quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Memórias: Madame C. de má memória

No meu último ano de felicidade no LFCLP...
Já agora, já que tenho um blogue, vá de desbobinar!
Já lá vai muito tempo, andava eu numa escola privada em Lisboa, ia já eu no meu terceiro ano de escola quando decidi que seria muito mais feliz se trilhasse o mesmo caminho das minhas irmãs. Ninguém me dissuadiu e lá fui eu ao encontro do período mais infeliz da minha vida de estudante. 
Conheci a Madame C., Senhora muito conceituada! Era a única que batia desalmadamente nos alunos, ou melhor, nas alunas, dizia-se que seria por ter sido casada com um dos directores da escola, que isso lhe dava algum poder, e que seria essa também a razão para nos bater, a sua infelicidade. Fosse como fosse, o nosso sofrimento era imenso, o de umas maior do que o de outras, mas ninguém estava a salvo!
As palmadas eram dadas na testa e percorria a sala de uma ponta à outra atirando palmadas a torto e a direito à procura de uma resposta certa! Quando a encontrava era também ela recebida com uma palmada, pois se tivesse dois dedos de testa teria evitado que as colegas apanhassem! E era assim! Dia sim, dia sim!
Um dia uma das minhas amigas acabou com a cabeça dentro de uma retrete, só porque sim! Outra levou um par de estalos porque trazia na pasta um monte de afias que faziam barulho com o andar da miúda... E nada, nada a fazia mudar! As idas ao quadro eram um tormento! Apanhava-se por dá cá aquela palha, e era de burra para cima! Mas calávamo-nos, porque não nos queixávamos, não dizíamos em casa o que se passava na escola!
Houve uma vez que o meu pai (o único que conduzia lá em casa) foi trabalhar para fora, deixou o carro com um dos meus tios, já nem sei muito bem porquê, mas ainda bem que o fez!  Nós as três fazíamos o trajecto casa-escola-casa no transporte fornecido pela escola. Ora acontece que, num daqueles dias em que ninguém acertava na resposta, ninguém saiu ao toque de saída e a turma toda perdeu o autocarro. Claro que aquelas cujas famílias as iam buscar tinham o problema resolvido, mas as restantes choravam baba e ranho, pois não tinham como ir para casa. E era ver-nos a fazer fila no único telefone público da escola, na sala de espera, à entrada do colégio, a pedir que nos fossem buscar... Nem um pedido de desculpa às famílias, nada!
Imagine-se pagar para isto!

0 comentários: