terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Balanços II


Ida para os Olivais: Tomás, Titas, Tucha e João Pedro, primeiros vizinhos e amigos.
Ida para o D.Dinis: Isabel Berkemeier, primeira amiga; Cristina do 6º, Ana do Monte, Filipa Mendonça e as manas, Fatinha e Xica, Graça e Teresa Beirão, Cristina do 7º e o irmão, meu colega de turma, a do 8º gamou-me uma camisola, detestei-a! E as gémeas, Luz e São, as gémeas mais diferentes que conheci. O tabaco à borla, dado pela Ana, os cafés à noite no Sorraia, mais tarde no Tó, pouco fui ao Tosta!
O Monte, para além de nós, as miúdas, os Morrison, Carlos e Paulo, o Bexiga, o Tito, o Ju e o Vi, o Toninho Louro, o Joãozinho e a sua Moto Guzzi e o Xangai e o seu carrão! O Tóinas, o Xico Xavier e os seus bons conselhos, a sua música e a do Corisco juntos e ao vivo! A Gilera do Rui Fonseca, a Honda 50 do Anselmo…
A fogueira enorme no meu primeiro Santo António na rua; a Feira Popular e o twister, uma tragédia anunciada; pastéis de nata atirados para o 3º andar pela manhã; as tolerâncias de meia hora nas saídas à noite até às 11h! As idas ao cinema, as festas na cave do Monte, na garagem do Ju; o Tiço, um querido! As irmãs Lobato de Faria, a Babá, com quem, mais tarde, fui ao Ministério da Educação denunciar a venda por 500$ dos exames do Propedêutico (e não me arrependo de o ter feito!).
As idas para as aulas a pé, íamos passando e chamando os amigos, era uma autêntica procissão de bairro, uma romaria até à escola! Era tão bom!
A minha primeira turma mista, a Cristina do 6º, a Raquel Freire, a Quicas, a Xana, que dançava no chão "The House of the rising sun", nos Convívios, o Inácio, Pê Zé, o Manel Malheiro Máximo e o Paulo, Puto estúpido, como o tratávamos, e tínhamos razões para isso! A Rita Cardoso Pires, que me ajudava no desenho à vista no meu segundo 5º ano, sim, porque chumbei, obviamente! Estava a pedi-las há que tempos! Repeti a parte de Ciências e tive a preciosa ajuda de uma explicadora de Desenho a AnaPaula, uma artista com uma paciência interminável! O Tito achava que aquela era sempre uma boa hora para passar à minha janela com a Honda do Anselmo!
O meu primeiro namorado e o meu primeiro amigo… estragou tudo, mais tarde, podia não o ter feito, teria sido muito melhor!
O incêndio na casa do Sandro, as fotografias do Toninho Neto, os passeios de mota, fazer motocross atrás do D.Dinis aos Sábados de manhã com o Fernando Silveira…
O bar do D. Dinis com aqueles sonhos maravilhosos, as suas célebres empadas e o martírio que era chegar à frente e conseguir ser-se atendido; as escadinhas entre o refeitório e o bar, onde nos sentávamos; as cenas de pancada, o Juan, o Paulinho, o Miguel e todos os outros; os grupos que se foram criando, as primeiras separações...
O Zé Pedro, dois anos noutro mundo: os Olivais Norte no seu melhor, o Tábuas, à tarde, o Luís Sambado, o Manucho, o Pedro Sá, o Licas, o Zé Mário…
Os banhos de “rega” nos dias quentes no Vale do Silêncio, onde vi pela última vez o Paulo Anarka, recuperei-o um bocadinho quando encontrei cá, em Évora, o seu irmão, Pedro Rosado.
O Testas, o Pedro Bidarra, os meus amigos do 6º e 7º anos! O Testas, inseparável! A malta da tarde no D. Dinis, Edgar e Fernando Pêra, os manos Rodrigo e … (já me falta um nome!), a rádio na sala de convívio, beba água do chuveiro… sem graça nenhuma! Mas era diferente e novo! A Margarida Sampaio e a Irene Mota Pinto, mãe muito cedo, tal como a minha irmã. Os dramas que se viveram em muitas casas com a droga, relações complicadas, dramas que nunca se resolveram… Tantos! Os afastamentos, os desgostos, as perdas: Ricardo Velha, um estúpido acidente de mota, o Bicos, o Jorge, que já era enfermeiro e que desistiu de viver, as overdoses que foram manchando as nossas vidas e roubando os nossos amigos.
Não tenho saudades, houve muitos momentos bons, mas também feridas abertas que nunca sararam e que nunca vão sarar, por muitos anos que passem. A nossa memória não é curta, apesar do que se diz!
Não conheço a maioria das pessoas que povoam estes grupos que se criaram à roda dos Olivais, bairro que a minha mãe ajudou a criar e a crescer e que me viu crescer. Ou já não me lembro de uns quantos, tal como não se lembram de mim! Estávamos juntos no Liceu e pouco mais, nessa altura éramos todos “amigos”, os miúdos têm sempre montes de amigos, e hoje, adultos, também os temos, apesar de facebookianos, mas tão virtuais como os de dantes!
Lena

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