domingo, 12 de junho de 2011

A VERGONHA DOS MAUS TRATOS

Estamos todos aqui, amigos de sempre ou de agora, reais ou virtuais, cada um com o seu percurso de vida, com o seu projecto de vida, mais ou menos feliz, mais ou menos satisfeito, mais ou menos completo. Mas por detrás das fotografias que publicamos no nosso perfil, as músicas que partilhamos no nosso mural, bem como os estados de alma que vamos "despejando", há histórias de vida terríveis, dramas profundos de tristeza e solidão incomensuráveis...
Lido diariamente com meninos tristes, felizes, com fome, sem família, ou com famílias que não os merecem, meninos que passam frio, que têm medo, que choram nas aulas porque as famílias se separaram. Meninos que se foram tornando devagar, devagarinho, mas mesmo debaixo dos nossos olhos, naquilo que já não podemos evitar! Mas que esteve sempre ao nosso alcance prevenir.
Somos todos responsáveis pelo estado a que deixamos as nossas crianças chegar... As dificuldades financeiras não justificam tudo! Nunca poderão justificar a falta de amor e é essa falta de amor a responsável pelo desastre que é a vida de milhares de crianças.
Imaginar que isso pode passar-se ao nosso lado, imaginar que convivemos com pessoas que maltratam os seus, imaginar que isto se repete numa base diária em que nada, mas nada de nada, faz com que o sofrimento acabe é terrível!
Há instituições que, supostamente, cuidam dessas crianças! Mas digam lá, será que nós, amigos virtuais ou reais, quereríamos ver os NOSSOS meninos entregues a essas instituições, ver os NOSSOS meninos retirados à família! Sim, porque não são só os mais desfavorecidos que sofrem e que são vítimas dentro das famílias. E, imagine-se, FAMÍLIA, CASA, esses espaços sagrados onde nos devíamos sentir seguros, para onde deveríamos sempre querer voltar, são por vezes os lugares mais perigosos para se viver...
Não tenho muitos amigos, apesar de no meu perfil dizer que tenho... Não tenho a família perfeita, nem sei se tal existe!
Fui uma filha rebelde, a roçar a má educação muitas vezes, e senti-me, muitas vezes também, mal-amada!
Mas fiz o possível para não fazer distinções entre os meus filhos, respeitando a maneira de ser de cada um. Só eles sabem o que sentiram e sentem. Mas mal-amados nunca foram... Isso eu sei! Nunca quis perpetuar o que me magoou enquanto miúda! E tenho um lema de que não abdico: NÃO FAÇAS AOS OUTROS... toda a gente conhece!
Faço daqui um apelo... Está só nas nossas mãos evitar que os nossos meninos fiquem estragados para a vida toda. Tem de haver uma forma de parar com este sofrimento! TEM DE HAVER!

1 comentários:

Helena Perdigão disse...

Gostei muito deste seu texto em forma de desabafo/apelo!

beijinhos!

hp