sábado, 31 de dezembro de 2011

Palcos




Há uns bons anos, estava eu em casa quando o telefone tocou. Era um «agente teatral» da Barraca, o melhor teatro à época a seguir à Cornucópia, a convidar-me para integrar a equipa.
Estranhei, mas pouco… Devia ter estranhado mais… Mas, apesar de não gostar de teatro, adoro representar, adoro a capacidade de me transformar naquilo que não sou, que não sou capaz de ser, de encarnar vidas… e a conversa deixou-me num entusiasmo difícil de controlar! Já não me lembro no que é que resultou a dita conversa, mas lembro-me bem do tom sério e «idóneo» do caramelo que me telefonou. Dois minutos depois veio o telefonema que me esclareceu, «nem acredito, fazes lá ideia, diz lá, imagina…» e do outro lado galhofa até dizer chega! Mesmo burra!
Caí que nem uma patinha! Mas não se pense que fiquei chateada por terem gozado literalmente com a minha cara! Não foi isso, foi mesmo a desilusão de não ser verdade…
Acabei por me tornar professora, outra forma de ser atriz, encarnar o que não sou, não há melhor «entertainer» do que um professor! Um palco partilhado, um público garantido, às vezes sucesso, outras insucesso! E que façam o que eu digo, não o que faço ou o que fiz, porque nem sempre o exemplo é a melhor lição!

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