Há uns bons anos, estava eu em
casa quando o telefone tocou. Era um «agente teatral» da Barraca, o melhor
teatro à época a seguir à Cornucópia, a convidar-me para integrar a equipa.
Estranhei, mas pouco… Devia ter
estranhado mais… Mas, apesar de não gostar de teatro, adoro representar, adoro
a capacidade de me transformar naquilo que não sou, que não sou capaz de ser,
de encarnar vidas… e a conversa deixou-me num entusiasmo difícil de controlar!
Já não me lembro no que é que resultou a dita conversa, mas lembro-me bem do
tom sério e «idóneo» do caramelo que me telefonou. Dois minutos depois veio o
telefonema que me esclareceu, «nem acredito, fazes lá ideia, diz lá, imagina…»
e do outro lado galhofa até dizer chega! Mesmo burra!
Caí que nem uma patinha! Mas não
se pense que fiquei chateada por terem gozado literalmente com a minha cara!
Não foi isso, foi mesmo a desilusão de não ser verdade…
Acabei por me tornar professora,
outra forma de ser atriz, encarnar o que não sou, não há melhor «entertainer»
do que um professor! Um palco partilhado, um público garantido, às vezes
sucesso, outras insucesso! E que façam o que eu digo, não o que faço ou o que
fiz, porque nem sempre o exemplo é a melhor lição!

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