Foi um desabafo, feio, mas compreensível, depois de ver o que viu aquela médica no princípio do ano de 89, nas Caldas da Rainha. Foi um desabafo mas não um prenúncio e enganou-se! A minha vida não tem sido um inferno! Temos tido alguns azares, como diria um dos meus heróis, o Dr. Gomes da Silva, que me refez a cara, um azar do caraças! Mas destas histórias tristes com algum azar pelo meio, temo-nos saído bem, felizmente. Deixaram cicatrizes, umas mais fundas que outras, outras mais difíceis de sarar, mas que finalmente fecharam, outras que ainda são feridas abertas.
Não gosto de ver os estragos, são bem visíveis e, por muito que os outros digam que não se notam (!!!), eu vejo-os todos os dias e não me habituo a eles, apesar de já fazerem parte de mim há muito tempo, vinte e cinco anos é, de facto, muito tempo. Mas quem pensa que são as marcas visíveis as que mais me incomodam, pensa mal. Abriram-se fossos, tão profundos, tão difíceis que, passados estes anos todos, doem como se tivesse sido atropelada ontem.
Nesse ano nasceram alguns heróis: o Domingos (o meu herói de sempre), o Dr. Gomes da Silva, cirurgião plástico de excecional nível que nunca desistiu de mim, apesar de eu ter desistido dele, e o meu filho Afonso, grande resistente, grande lutador, que veio ao mundo meses depois com uma estrela na testa!
Também nasceram uns vilões... mas não haveria heróis sem eles!

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