Não sei se é da idade, PDI, e do seu peso, do cansaço de trinta anos de trabalho, sagrado, se da pressão dos exames e do gosto que faço quando os meus alunos se saem bem, ou se é mesmo da intolerância à preguiça, falta de brio, falta de estudo ou de uma irresponsabilidade partilhada entre alguns alunos e suas famílias que desculpam tudo e mais alguma coisa aos seus meninos. Não sei do que é, mas estou à beira de um ataque de nervos e não há «comprimido» que ajude! «Professora, tomou o comprimido?» «Sim, linda, tomei, mas não faz nada contra isto: terrível, pretérito imperfeito!»
Expressões proibidas nas minhas aulas: «não sou o único», «não percebi o que era para fazer e, por isso, não fiz o TPC», «não ouvi/esqueci-me»! Porquê? Porque me farto de repetir, explico, volto a explicar, faço boneco se for preciso, digo na aula, volto a fazer no «Apoio», vezes e vezes sem conta. Só posso ser uma merda de uma professora! Hoje dei por mim a pensar que precisava de uma pausa, não de um Kit Kat, era mesmo de ir para casa, para longe, ver o mar, qualquer coisa que me afastasse de uma frustração imensa que me magoa, me sufoca, me deprime e comprime até à exaustão, à falta de ar... E como se não bastasse ainda levo com uma chazada envolta em incentivos e votos de confiança!
Não há mesmo pachorra! Talvez tenha feito uma péssima escolha, ao tornar-me professora, eu que fui péssima aluna! É possível! Mas aprendi a gostar do que faço, a respeitar o meu trabalho e o dos meus alunos, sobretudo a respeitar as vidas tão difíceis destas crianças que nos passam pelas mãos, que fazem «diretas» para tomar conta dos irmãos enquanto as mães andam «na vida», que estão em instituições porque as famílias não o são, ou porque não têm dinheiro para os aquecer ou alimentar, e os miúdos entendem, isso entendem! Não entendem o abandono, a falta de amor, a falta de regras, a desresponsabilização, porque, um dia mais tarde, vão cobrar, de um modo ou de outro, tudo isso a quem tinha a obrigação de educar.
Não há mesmo pachorra! Talvez tenha feito uma péssima escolha, ao tornar-me professora, eu que fui péssima aluna! É possível! Mas aprendi a gostar do que faço, a respeitar o meu trabalho e o dos meus alunos, sobretudo a respeitar as vidas tão difíceis destas crianças que nos passam pelas mãos, que fazem «diretas» para tomar conta dos irmãos enquanto as mães andam «na vida», que estão em instituições porque as famílias não o são, ou porque não têm dinheiro para os aquecer ou alimentar, e os miúdos entendem, isso entendem! Não entendem o abandono, a falta de amor, a falta de regras, a desresponsabilização, porque, um dia mais tarde, vão cobrar, de um modo ou de outro, tudo isso a quem tinha a obrigação de educar.
Não me preocupa o que os meus alunos pensam de mim, que sou muito exigente, que falo alto, que sou muito rígida, tudo isso é verdade! De mim não dizem que não sei o que ando a fazer, que chego tarde, que sou balda ou que sou injusta.
Mas o que fazer com quem não quer, com quem não faz, mas diz que tenta (não há pior...) e o que dizer dessa espécie sem ponta de vergonha que dá explicações «de tudo» de Português a Matemática, passando pelas Ciências e pela História, dando ainda uma mãozinha no Inglês? Levam a massa aos pais, não ensinam nada como deve ser, não conhecem os programas, as metas, e ainda fazem comentários aos professores que nunca viram na vida! «Os testes da professora são muito exigentes!»; «Estou disponível para discutir os critérios de classificação com a professora!»... Mas o que é que é isto!
Fica um aviso! Mais uma intromissão de uma qualquer dita explicadora, que dá tudo, sabe Deus como, e talvez tenha de prestar contas com o IRS...
Fica um aviso! Mais uma intromissão de uma qualquer dita explicadora, que dá tudo, sabe Deus como, e talvez tenha de prestar contas com o IRS...
Depois não digam que eu não avisei, estou à beira de um ataque de nervos!


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