Antes de 74 o Carnaval não chegava às escolas, havia os estalinhos, as rabichas, as bisnagas, as serpentinas e os confettis, mas nas nossas casas e nas ruas, com moderação. Nesse mesmo ano, entrei numa aula de Matemática com sardas pintadas na cara e uns totós com lacinhos aos quadradinhos em azul e branco e passei a maior vergonha de ouvir: «vai lavar a cara».
Logo no ano a seguir o Carnaval instalou-se à grande nas escolas, tipo Maduro/Carlos do Carmo, é quando um homem quiser! Foi a partir daí que comecei a faltar às aulas à sexta-feira antes do Carnaval, não estava disposta a levar com ovos, farinha, sabão à mistura e a ver aquela javardice que os nossos «queridos» colegas faziam às «contínuas» e aos mais fracotes, tantas vezes indefesos... Uma perfeita nojeira. E saindo de casa também não estávamos a salvo, ovos pelas janelas abertas dos autocarros, bombas de mau cheiro atiradas para dentro dos prédios... Sobravam as festas de Carnaval, essas sim, divertidas, inócuas, com alguma malandrice à medida das nossas idades.
Anos mais tarde, já mãe, nas Caldas da Rainha, havia sítios por onde não se podia passar de carro com janelas abertas ou portas destrancadas, era um tiro ao alvo certo, ovos a entrar por onde pudessem entrar. Carnaval? Isto?
E nas escolas? Continuam as bombas de mau cheiro, apesar de proibidas por lei, desde a sua comercialização à utilização por alunos nas escolas.
Sempre ouvi a expressão «brincar ao Carnaval», mas aquilo a que assisti, na maior parte das vezes, foi a «vingança» permitida e encapotada contra aqueles em quem ao longo do ano não podiam tocar.
Mas nem tudo é mau, nojento, foleiro ou piroso, há gente que sabe divertir-se e divertir os outros e são esses que contrariam os imbecis que, por serem prepotentes, por se acharem mais do que os outros, melhores do que os outros, quem sabe se inspirados por alguma divindade, tentam impedir a malta de «brincar ao Carnaval».


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