Neste dia do Teatro,
brindemos a todos nós atores, aos que se levantam de manhã e são pais, uma hora
mais tarde professores, ao fim do dia gente do mais comum que há, esgotada,
pouco reconhecida e ainda menos valorizada.
Brindemos aos palcos que pisamos, a nossa casa, a nossa
escola, cada vez mais um espaço de constrangimentos, de faltas, falta de
educação, de mestria, de ensino, de aprendizagem, de brio…
Brindemos ao público, àqueles que entregam os filhos às
escolas à espera que tudo corra bem, que aprendam, que vençam, que brilhem, que
se construam como seres bem formados, Pessoas. E àqueles que nos depositam as
crianças para que estejam devidamente ocupadas, fora de casa, onde podem comer
a baixo custo, mandar os professores, funcionários e colegas para todos os
sítios inimagináveis, sem que nada lhes aconteça, pois obtiveram um estatuto
que lhes permite degradar a vida de quem os rodeia, e ainda são protegidos pelo
sistema, ganhando terreno dia sim, dia sim, até ao dia em que as nossas escolas
não passem de lugares onde esta gentalha passa o dia para não andar na rua a
roubar velhinhas.
Brindemos, pois, passados quarenta anos sobre o 25 de
abril de 74, à bela merda em que nos encontramos. Brindemos àqueles que no
palco da dita democracia se encheram até não nos deixarem nada, àqueles que se
apoderaram legalmente daquilo que não lhes pertencia, àqueles que nos fizeram
ir ao fundo, mas que estão confortáveis, pois asseguram-se disso com muito
cuidado. Brindemos às Milus das festas das escolas, a todos os bandidos que
continuam em liberdade a cagar sentenças…
Brindemos , pois, ao Teatro!

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