quinta-feira, 27 de março de 2014

Teatro

           Neste dia do Teatro, brindemos a todos nós atores, aos que se levantam de manhã e são pais, uma hora mais tarde professores, ao fim do dia gente do mais comum que há, esgotada, pouco reconhecida e ainda menos valorizada.
            Brindemos aos palcos que pisamos, a nossa casa, a nossa escola, cada vez mais um espaço de constrangimentos, de faltas, falta de educação, de mestria, de ensino, de aprendizagem, de brio…
            Brindemos ao público, àqueles que entregam os filhos às escolas à espera que tudo corra bem, que aprendam, que vençam, que brilhem, que se construam como seres bem formados, Pessoas. E àqueles que nos depositam as crianças para que estejam devidamente ocupadas, fora de casa, onde podem comer a baixo custo, mandar os professores, funcionários e colegas para todos os sítios inimagináveis, sem que nada lhes aconteça, pois obtiveram um estatuto que lhes permite degradar a vida de quem os rodeia, e ainda são protegidos pelo sistema, ganhando terreno dia sim, dia sim, até ao dia em que as nossas escolas não passem de lugares onde esta gentalha passa o dia para não andar na rua a roubar velhinhas.
            Brindemos, pois, passados quarenta anos sobre o 25 de abril de 74, à bela merda em que nos encontramos. Brindemos àqueles que no palco da dita democracia se encheram até não nos deixarem nada, àqueles que se apoderaram legalmente daquilo que não lhes pertencia, àqueles que nos fizeram ir ao fundo, mas que estão confortáveis, pois asseguram-se disso com muito cuidado. Brindemos às Milus das festas das escolas, a todos os bandidos que continuam em liberdade a cagar sentenças…

            Brindemos , pois, ao Teatro!

0 comentários: