Há verdades inconvenientes, de facto, nem todas podem ser ditas de ânimo leve e é verdade que sou desbocada, mas não sou cínica nem hipócrita. E há maneiras e maneiras de dizer as coisas. Tenho aprendido à minha custa, com muita dor à mistura, a dizer as coisas que entendo que devo dizer, de forma a não magoar quem me ouve, principalmente aqueles de quem eu gosto. E nem sempre consigo. Se calhar, não consigo mesmo... Porque, talvez as pessoas prefiram ouvir umas mentirinhas ou não ouvir nada, a ouvir o que eu teria para dizer. Mas quando tive cancro, prometi a mim própria que nunca deixaria nada por dizer! E até ando a engolir alguns sapos que me andam a engasgar há uns tempos!
Desabafando: estou farta de filmes de quinta categoria, daqueles em que nos tornamos personagens principais, normalmente maléficas, em que tudo o que fazemos é para chatear, magoar, incomodar... Numa altura em que eu devia andar feliz, apesar das imensas preocupações que me afligem, a saúde das nossas mães, por exemplo, ando a pensar no que não devo, a pensar o que poderia ter feito de diferente, ou se não deveria ter feito nada e o silêncio que resolvesse tudo.
Pois é, não sou assim! E percebo que não gostem da minha maneira de ser. Até percebo...
É a vida, diria o outro!
Mas Fernando Pessoa é que tem razão. Não admira que, cada vez mais, me apeteça um copito!


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