Dias em comunhão. Acordar e enfiarmo-nos todos na mesma cama a falar do que foi, do que vai ser, do que tem sido. Chegar à noite e sentarmo-nos todos à volta de um piza e pensar que será a última vez que o faremos assim, nós os cinco. A partir de agora somos seis, sete, à espera de sermos oito. Levantarmo-nos a correr, porque é preciso e tratar das flores, dos penteados. O tempo passa a correr como nós. O «bouquet» está lindo, as flores para as lapelas, coitadas, com o destino traçado. Mais umas horas de cabeleireiro, um programa a três, mais duas... E a Carla, paciente e carinhosa, a tratar da noiva, da mãe, da sogra, das cunhadas. Mais uma corrida até casa, até ao Restelo, mais uma corrida, mais uma viagem até Vila Franca do Rosário, com mais um engano no caminho. Tinha de ser ou não seríamos nós! Que viagem! De Mercedes em vez de Mégane! O Álvaro de mota avariada, a malta a parar na autoestrada, «enganei-me!», «não, tu vais bem, nós é que nos enganámos!». A Avó Luiza à frente com o Pai, eu atrás com a noiva: Estás bem?, Estou! E chegámos a horas, sem atrasos. E foi qualquer coisa de arrepiante vê-los a entrar de braço dado na igreja, com a luz de fim de tarde por detrás dos dois, pai e filha.
Toda uma cerimónia de uma beleza e de uma simplicidade inesquecíveis. Uma emoção por conter, uma felicidade genuína, um gosto, uma delícia, irrepetível. A ternura das avós, felizes...
A minha filha casou-se há um mês.

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