sexta-feira, 15 de abril de 2016

Que mi(ni)stério é este??? E continua o baile!

      Há muitos anos, um amigo dizia-me que o simples facto de ir à casa de banho é política, é uma opção que se faz: vamos quando é preciso, vamos de uma forma preventiva, educamos o nosso corpo a obedecer a rotinas... e por aí fora! Imagino que aqueles que nos (des)governam devem ter tido o mesmo tipo de conversas de merda, quando eram adolescentes, para causarem tantas fezes aos outros, de uma forma irregular, dessincronizada e cagando, literalmente em todos nós, professores, alunos, pais e sabe Deus quem mais!
         Em 1977/78, fui aluna da Edite Estrela, lembro-me bem dela, do quanto gostava das suas aulas, lembro-me que tinha uma camisola igual a uma da minha irmã e que nessa camisola, em dada altura, havia um autocolante que dizia «Os professores têm razão!». A guerra entre ME/MEC está instalada desde sempre e mal o poder muda de mãos muda tudo, o que está bem, mal, assim-assim, é uma dança de lugares, troca de tachos, de gabinetes, um chega para lá que agora é a minha vez, e, como em tudo neste nosso lindo cantinho, à beira-mar plantado, o que interessa é a marca pessoal, o umbigo, a promoção pessoal, nunca, nunca, nunca o superior interesse dos alunos, vítimas, cobaias de gente sem escrúpulos, vaidosa, de uma vaidade desmedida, cambada de vendidos que usam e abusam de profissionais de elevadíssima qualidade, que dão tudo de si, do seu tempo, da sua disponibilidade, do seu amor, da sua solidariedade, dos seus recursos, que partilham o seu saber, que levam e elevam os seus alunos a patamares de excelência... E podia continuar, porque nós tocamos o futuro todos os dias, porque conhecemos os nossos alunos como ninguém, porque nos rimos com eles e choramos quando eles choram, porque lhes vemos a febre, porque os mandamos ir comer e pôr a conta em nosso nome, porque exigimos deles o que eles nos podem dar, para serem mais, melhores, cidadãos de pleno direito.
         Mas isto não é nada, os professores têm mesmo razão para andarem fartos desta merda! Então vejamos: no início eram exames, nos meus tempos de miúda, na 4ª classe, no Ciclo Preparatório, no 5º ano, sendo que havia a possibilidade de dispensar se a nossa média fosse igual ou superior a 13,5, depois no 7º ano, o chamado Complementar. Inventaram, entretanto o Propedêutico, uma coisa extraordinária para nos fazerem andar mais um ano a «estudar» com um exame no fim e finalmente a Faculdade. Depois acabou tudo. E depois voltaram os exames a conta-gotas para alguns. Para nós, professores e alunos do 2º Ciclo, começámos com provas de aferição, em maio, que, ao fim de alguns anos passaram a provas finais de ciclo, também elas em maio, apesar de tantas e tantas reclamações para que não se fizessem em maio mas em junho, depois de as aulas acabarem. Mas não, eles é que sabem, não interessava que um programa tivesse de estar dado em maio, quando as aulas acabam em junho, não interessava que as aulas ficassem interrompidas durante quatro dias seguidos, para que uns pudessem realizar as provas e os outros todos ficassem sem aulas, não interessava que, além disso, ainda ficassem sem mais dois dias de aulas, para que nós, classificadores, pudéssemos corrigir as provas, enquanto ainda tínhamos os testes dos outros, aulas para preparar... E depois, em janeiro deste ano, veio a ótima notícia, a palhaçada acabava este ano, nada de exames, para o ano logo se via, mas para já ficava marcado o regresso das provas de aferição para o 2º (!!!!!!!!!!!!!) ano, para o 5º e para o 8º anos. De acordo, na generalidade, não entendi o 2º ano, mas só o simples facto de ser em junho já me deixava mais descansada. Mas não há bela sem senão! Ainda não estávamos recuperados de tantas voltas e reviravoltas, quando nos chega às mãos a bomba da época, afinal, as provas de final de ciclo podem realizar-se, se quisermos fazê-las, então façamo-las, há uma matriz e a gente que se amanhe e 'bora lá ficar bonito no filme. Mas não chega! Fazer provas abolidas em prime time na televisão e dar o dito por não dito já é o que é, mas se isso fosse tudo... As provas de aferição que começariam para o ano, afinal são para este, caso a «gente» queira, se não quisermos, o que seria uma coisa estranha para quem nos desgoverna, terá de fundamentar muito bem a decisão de não querer fazer uma coisa imposta às três pancadas, no final do 2º período, contrariando todas as indicações dadas até aí! Mas o que é que é isto? Alguém entende? Nem comento a postura das direções e seus diretores, deixo em branco, porque farta de fezes estou eu! 
          Portanto, os professores têm razão, já a Edite Estrela trazia ao peito o tal autocolante que o dizia em 1978, mas a engrenagem, tal como Sartre a descreveu, é bem mais pesada do que eu poderia alguma vez pensar, imaginar! E os que agora estão por baixo irão um dia para cima e a merda continua, mais uma voltinha, mais uma viagem ao mundo  do Eduquês, termo piroso, foleiro, perfeitamente ajustado a esta cambada de «doutores» que estraga gerações atrás de gerações com modas e modinhas, avanços e recuos, desvios e contornos, em que ninguém se reconhece, com que ninguém se identifica. Que tristeza. E continua o baile!

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