Os docentes do Agrupamento de
Escolas n.º2 de Évora abaixo identificados manifestam a sua posição
relativamente à rede escolar para 2013/2014, na cidade de Évora, começando por declarar
a sua estranheza e indignação perante o facto de as decisões tomadas em “Reunião
da Rede Escolar de Évora para 2013/14” terem ignorado,
por completo, quer a tradição e vocação das escolas que compõem o Agrupamento
de Escolas n.º2 de Évora, quer a existência de recursos humanos e materiais
nele existentes.
Assim, e perante a impotência dos órgãos de gestão do Agrupamento solicitam à
senhora Delegada Regional de Educação do Alentejo e à senhora Delegada Regional
da IGEC do Alentejo que diligenciem todos os esforços no sentido de inverter a
hecatombe que se abateu sobre a população escolar do nosso Agrupamento, a que
esta divisão acriterial de alunos pela
cidade de Évora, traçada sem a mínima atenção aos contextos educativos em
presença, deu início, atendendo às razões que a seguir expõem.
1- Não
se compreende a forma como foram tomadas decisões que contrariam clara e
inequivocamente a legislação em vigor, da responsabilidade do atual Governo. De
facto, as Grandes Opções do Plano do XIX Governo Constitucional, para a área da
educação, são as seguintes: concretizar a universalização da frequência da
educação pré-escolar e do ensino básico e secundário; alargar as oportunidades
de qualificação certificada para os jovens e os adultos; promover a melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos e
valorizar a escola pública; reforçar
as condições de funcionamento, os recursos e a autonomia das escolas; valorizar o trabalho e a profissão docente.
2-
Não se compreende como pôde uma “Reunião
da Rede Escolar” ter desvalorizado o potencial
humano e os recursos materiais e logísticos de
que o Agrupamento de Escolas n.º2 de Évora dispõe, concorrendo consequentemente para a degradação do clima de escola e de
trabalho fatores determinantes na melhoria
do serviço educativo que as escolas prestam à comunidade.
3-
O Conselho Nacional da
Educação defende a participação regular dos agentes escolares e educativos nas
decisões relativas à rede escolar para, assim, garantir a qualidade educativa,
consolidar a autonomia das escolas e responsabilizar todos os agentes
envolvidos.
4-
Considera-se, desta forma, que os agentes envolvidos na “Reunião
da Rede Escolar de Évora” para 2013/14 procederam abusivamente e a contrario da legislação, uma vez que produziram
mudanças de fundo na dimensão, natureza e estrutura interna da
escola/Agrupamento e lesando profundamente a matriz existencial de duas das
escolas que compõem esta unidade orgânica: a Escola Secundária Gabriel Pereira
e a Escola Básica André de Resende.
5-
As Reuniões da Rede Escolar devem
constituir-se como elemento potenciador do equilíbrio na governança das escolas
e instrumento decisivo para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem
de todos os alunos da cidade, bem como no desenvolvimento de todas as escolas.
As decisões tomadas nas reuniões acima referidas poderão afetar as famílias dos
alunos e toda a comunidade escolar, uma vez que não foram tidas em atenção as vontades dos alunos e dos
pais/encarregados de educação, desrespeitando completamente os princípios da
liberdade de escolha que lhes assiste.
6-
Não se compreende a intenção
de ostracizar de forma tão vincada e discriminatória quer os docentes, quer os
alunos e famílias que o Agrupamento de Escolas n.º2 de Évora serve, o qual
sempre apresentou resultados escolares muito satisfatórios do trabalho efetuado
pelos agentes educativos. Este trabalho possibilitou à Escola Secundária
Gabriel Pereira, no ranking de 2012, atingir a posição 114 num universo de 485
escolas secundárias. A Escola Básica de André de Resende atingiu, no mesmo ranking,
a posição 418 num universo de 1303 escolas do básico, facto também notável.
7-
Não se compreende, pois, como pôde uma
“Reunião da Rede Escolar” ter desvalorizado o
potencial humano, os recursos materiais e logísticos de que o Agrupamento de
Escolas n.º2 de Évora dispõe, ter ignorado os resultados académicos, formativos
e educativos que as suas diversas escolas têm alcançado, ao longo das duas
últimas décadas, e ter contrariado a vontade expressa e o direito de opção dos
alunos e famílias, que de forma inequívoca têm manifestado a sua confiança na
qualidade do serviço público de educação que ao longo dos anos reconheceram ao nosso Agrupamento. Esse labor intenso por parte de docentes e discentes foi
crucial para os resultados acima referenciados. No actual momento e perante a
tomada de decisões que conduziram à exclusão de um número muito elevado de
docentes do quadro, afetos a este agrupamento, considera-se que não houve
reconhecimento devido de todo o trabalho desenvolvido por todos estes
profissionais. Estes profissionais no ano transato tinham horário completo, com
número significativo de alunos e sempre desenvolveram as actividades que lhes
foram confiadas com elevado sentido da responsabilidade e profissionalismo.
Acrescente-se que esta situação é manifestamente injusta para um corpo docente
que tanto tempo dedicou à escola pública, trata-se de um grupo de docentes que
em média tem mais de 20 anos de serviço, e à comunidade educativa com a qual
criou laços de profundo respeito e amizade. Acrescenta-se ainda que são estes
os docentes, quer da escola André de
Resende quer da escola Gabriel Pereira,
corresponsáveis pelos objetivos patentes no ranking acima mencionado.
Decididamente a maior quota de responsabilidade por esses resultados cabe aos
alunos, mas nunca será possível retirar a quota parte de responsabilidade aos
docentes que os prepararam.
8-
Considera-se que a definição da rede
escolar e da oferta formativa deveria ter sido feita a partir da identificação
das necessidades das famílias e dos interesses económicos da cidade e da região,
sempre no respeito pela legislação em vigor.
Face ao exposto, os docentes do
Agrupamento de Escolas n.º2 de Évora subscritores manifestam a sua concordância
com as tomadas de posição do conselho geral do ex-agrupamento nº2, dos docentes
da Escola Secundária Gabriel Pereira, dos docentes dos Departamentos de
Ciências Sociais e Humanas, Matemática e Ciências Experimentais e de Línguas, e
solicitam a revisão das decisões tomadas no que à Rede Escolar para Évora 2013/2014
diz respeito, tendo em consideração a urgência de uma rede escolar que tenha em
conta os interesses dos alunos e a qualidade do ensino.
Os subscritores

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