terça-feira, 20 de agosto de 2013

Reflexões em torno de reflexões... lá vem bomba! Ou nem por isso!

     Falemos então de solidariedade. Ou da falta dela. Ou ainda, uma pergunta: aderir ou não a uma greve faz de uma pessoa mais ou menos solidária?
      Escrevi um dia que a Escola André de Resende não é (ainda) a minha escola. E não é. MESMO. Fui para lá porque quis, porque concorri, porque tive a sorte de lá ficar, e quando vi o resultado do concurso, gritei aos berros, tipo adolescente, ao que a Francisca de CFQ me disse, «vais para a escola das tias!». Mas não fazia mal! De todo.
       Mas aprendi logo no primeiro ano que a alguns tudo era permitido e a outros tudo era negado, até descompusturas vi dar ao portão da escola a colegas, à frente de alunos e pais. Havia quem pudesse faltar, literalmente, sem que tivesse de apresentar qualquer justificação, e outros que, doentes a precisar de usar um «102» por um dia, tivessem de apresentar atestado médico! Vi gente a navegar por portos pouco seguros em plena sala de professores, gente que acumulava cargos para não dar aulas, beneficiando de reduções umas atrás das outras, gente que dava assistência informática e por essa muito nobre função se via livre de aulas, gente que se escondia na casa de banho, quando não na sala da direção para fugir, já no tempo da Lulu, às aulas de substituição... podia continuar! Já em 88, no tempo do Hermínio, em Óbidos, estar na direção era muito bom, pois era uma horinha aqui e outra ali...
       E nessa altura, levei com uma camionete em cima, tirando a Manela Morais, presidente do CD na altura, não me lembro de ninguém que se tivesse preocupado comigo... 
         E mais tarde veio o cancro, também não me lembro de qualquer tipo de solidariedade, tirando a Margarida, a Isabel F. e a HP que me foram ver ao hospital e ainda a HP, a LB e a GQ, que vieram cá a casa uma vez, e a Natália, a Manela e mais tarde a Zoca, da Conde de Vilalva, depois ainda houve a Cléo, a Violante e a D. Rosalina, incansáveis, e as orações da HP e do Luís Maria, falta referir os três telefonemas, a TR e a B e ainda o mais extraordinário, no hospital, quando me perguntaram se era de casa da Helena Barreto... E essa mesma disse mais tarde que o sistema de avaliação da Lulu era muito bom, pois assim livrava-se dos incompetentes!
          Pois eles por aí continuam a grassar, vale-lhes a antiguidade, aqueles que avaliaram os colegas com base no que os outros (aqueles que quando não sabem inventam) lhes disseram, que continuam a fazer da nossa profissão um modo de ganhar a vida e não um mister, e ainda todos aqueles que, movidos pela inveja ou por promoção social, empatam a vida aos outros, como se diz por aí: «não fode nem sai de cima», desculpem-me os mais sensíveis, mas não encontro melhor expressão para definir aquela nata podre que mina a escola... Desengane-se quem acha que são os mais novos ou os contratados que dão vida às escolas. São aqueles que adoram o que fazem, independentemente da idade, são aqueles que, à custa de muitas «fezes», como se diz por aqui, acabam por desistir, porque não vale a pena, não vale. Os desmemoriados, ou de memória curta, reduzida, conforme lhe quiserem chamar, sabem muito bem do que estou a falar. Mais uma vez, vale-me o facto de ser pouco lida. 
           Penso muito nos trinta que ficaram de fora e que vão para a mobilidade, muitos deles bem mais competentes do que os que ficam. Já não são quarenta, mas ainda são muitos, multiplicados por esse país fora. Cada vez menos esta é a minha escola.
      

1 comentários:

Helena Perdigão disse...

Minha querida Grilinha, você é um Anjo!

bj gd!

hp