Hoje é dia de vasculhar o sótão... centenas de cadernos, dezenas manuais que não chegaram a passar de mão em mão à conta de reformas curriculares, períodos de adopção de manuais que não contemplaram a diferença de idades dos meus filhos... E depois aquele monte de livros que fui criando ao longo das vidas deles e da minha.
Reencontrei a Alice perdida naquele monte, todas riscada pelas mãos da Inês, essa "gaiata", como se diz por aqui, assinou todos os livros existentes cá em casa e à mão de semear...
A Alice não foi lida até ao fim! Comprada numa feira do livro, há tantos anos, a escolha acertada e a possível nesse ano (só tinha direito a um livro...) foi vítima de um acidente de viação, um desastre de carro, como lhe chamamos, o único que sofri com o meu pai ao volante, quando íamos visitar o Tio António à Damaia (quando a Damaia era uma terreola pacífica, periférica e muito pacata). Folheava o livro, fascinada com as imagens do Gato e do Coelho Branco, quando, de repente, depois de uma disputa de delicadezas, ora passe, não, passe o senhor, passe, por favor, não se souberam decidir e passaram os dois! Claro, bateram forte e feio, e na altura os carros eram super resistentes, nós lá dentro é que sofríamos os embates. Uma cabeçada valente no fecho da janela traseira, mais uma daquelas cretinices que os carros tinham, um fecho todo saído à espera que alguém lá fosse bater, esse alguém fui eu! Ainda fiquei com um cotovelo amassado, lembro-me de uma imensa nódoa negra... Passámos pelo hospital, a mãe e eu, fomos de ambulância! Tinha oito anos, uma experiência e tanto e lembro-me de a Madame Coutinho, no dia seguinte, fazer uma cara medonha e de desprezo pelo facto de termos sofrido um acidente, coisa de gente sem classe, imagino eu!
Por isso a Alice ficou ali, testemunha de uma coisa sem graça, marco de uma experiência desagradável e esperou, esperou, esperou...
Mas fiz as pazes com ela, de tal forma que no próximo ano lectivo vou arriscar!
Meninos, já sabem... Vamos conhecer a Alice, o Chapeleiro, o Coelho Branco, o Gato Cheshire, a Rainha, o Rei, a Duquesa, o bebé que afinal é um porco, a Lagarta...

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