segunda-feira, 11 de julho de 2011

Por Miguel Henriques. Vale a pena ler.

A SIC, as agências de rating, e o espectáculo da degradação da vida cívica neste mundo ocidental

por Miguel Henriques a Sexta-feira, 8 de Julho de 2011 às 20:25
É pena que o comentador de política económica da SIC Gomes Ferreira, e muitos outros como ele, não tenham denunciado esta tramóia quando ela já era escandalosamente evidente desde há uns anos a esta parte. Aliás a operação deste sistema das agências de rating e das empresas de seguro das dívidas, ou dos investimentos, é em tudo semelhante ao trabalho nefasto que os pitorescos analistas já fazem há décadas projectando os futuros da economia, das taxas, dos crescimentos e recessões económicas, dos preços do petróleo, do ouro e da platina. Os yuppies americanos andam há décadas a experimentar autênticas novas drogas, procedimentos e mecanismos de financiamento da economia que a tornaram completamente irreal.
Disfarçados de bruxos desataram a inventar autênticas indústrias de especulação baseada em futurologia. Isto não seria problemático se não escondesse claramente objectivos de manipulação desse mesmo futuro criando artificialmente os cenários económicos mais adequados às suas estratégias de roubalheira.
E aqui os políticos fizeram a pior figura possível de sonsos à espera de poderem também molhar o pão na sopa da corrupção, das luvas, e das comissões. Agora chegarem ao ponto de os contratar, legalmente, e lhes andarem a pagar estes anos todos a respectiva mensalidade… francamente julgo que a esmagadora maioria dos cidadãos não fazia ideia. Pensava que já nada me surpreenderia mas esta ludibriosa criatividade ultrapassa qualquer imaginação, mesmo a mais retorcida.
Isto no tempo dos Corleone chamava-se crime de extorsão, máfia. Mais recentemente as bolsas de valores criminalizaram todo aquele que usasse informação financeira privilegiada de presente e estimativa de futuro que favorecesse a manipulação antecipada das cotações para fins especulativos. Então e agora… ?? Já não é à porrada ao merceeiro da esquina, já não é em secreto conluio com alguns agentes do poder. Agora é à descarada: submetem os media, os governos, as câmaras, a economia dos países, de um continente. E os jornalistas acríticos fazem o serviço lamentável de lhes dar credibilidade e idoneidade. E ainda lhes amplificam a voz. Será só para protegerem o seu emprego precário ou não será que alguns ainda têm a esperança de também poderem molhar o seu?
 A república, a democracia encontra-se totalmente corrompida. Hoje não passa de uma fachada em que se reiteram valores que já datam do século XVIII, entretendo o povo com os palhaços de serviço em cerimoniais ridículos de pseudo-representação desse mesmo povo, mimetizando em sinais decadentes tiques das antigas sociedades oligárquicas.
E o que esperar da comunidade de pensadores (com letra grande)? De que é que estão à espera para criticar, para fazerem igualmente ouvir a sua voz. Não se estará a fazer tarde para a revisão das utopias e buscar alguma consistência em novos valores e novos modelos de sociedade de forma a barrar e quebrar todo e qualquer ímpeto ideológico obscurantista, que nunca no passado recente dispôs de momento mais propício?

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