quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não vale tudo... Não pode valer!

Vivemos tempos complicados, diz a minha mãe, com toda a legitimidade, vivemos uma inversão de valores! Não há castigos que cheguem para quem se porta mal, porque, nos dias que correm, já não sabemos quem é que se porta, de facto, mal!
Ora vejamos as novelas, não que eu as veja, mas quando se dão as apresentações dos episódios que estão para vir, lá estão as mesmas personagens, as horrorosas, as más, as que minam, cuscam, causam males terríveis... impunes, sem castigo, sem um arranhão! Fico espantada com a durabilidade da maldade! A promoção de quem não tem qualquer moral, de quem é mau por o ser, de quem vive para prejudicar os outros só pelo prazer de o fazer, eventualmente, para singrar a qualquer custo, nem que seja à custa dos outos.
O primeiro vilão do "meu tempo", depois do maneta de "O Fugitivo", foi o JR, daquela série medonha "Dallas"... uma coisa indescritível, mas essa criatura não tinha mais tempo de antena do que os chamados bons da fita! Várias vezes lhe causavam dissabores e lhe trocavam as voltas, mesmo assim, com tanta falta de carácter, acabei por deixar de ver aquela treta, era mau demais! 
Para haver heróis, bons, tem de haver maus e vilões. É uma premissa! Não há Holmes sem Moriarty! Tem de haver um mau à medida do herói! Mas, dantes, por muito extensa que fosse a obra, livro, filme, nada se comparava ao desmedido valor que se dá hoje às criaturas horrorosas que povoam o imaginário das nossas crianças.
A Rainha de Copas, que passava a vida a dizer "cortem-lhe a cabeça", nunca cortou a cabeça a ninguém...
Ah, não sabem quem é a Rainha de Copas? do Lewis Carroll? É natural... assim como não conhecem os outros clássicos da literatura infantil, nem os Grimm, nem o Perrault, ou o Andersen! Claro, a pequena sereia sobrevive, o lobo mau é aberto, safam-se a avozinha e a imbecil da desobediente da sua neta, enquanto o lobo é atirado para dentro de um poço cheio de calhaus para se afundar mais depressa! Invertem-se os papéis para não traumatizar as criancinhas, que já não sabem quem é o Pedro Papuço Papão que papa o Papim! Mas os papões andam por aí! Oh se andam! E prejudicam-nos no trabalho, na escola, no nosso dia-a-dia! E a sensação com que se fica é que  pode não se ter carácter, pode ser-se literalmente "bufo", pode ser-se mentiroso e deliberadamente prejudicar alguém, inventar tramóias inconcebíveis, inimagináveis, daquelas que só mesmo poderiam existir nas "novelas", a minha filha que o diga!
Mas há esperança, tem de haver! 
A qualidade tem de voltar às nossas vidas, à escola... As leituras têm de passar pelos valores intemporais da bondade, da valentia, da honradez e da prevalência do bem sobre o mal. Sim, porque há o bem e o mal, apesar de as nossas crianças nem sempre o saberem distinguir!
  Não há como discutir o que está certo, o que está mal e o que não se pode, em circunstância alguma, fazer! Isso não se discute!

É tempo de acabar com a palhaçada... Precisamos de heróis!

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