Quando chega a hora de regar, não há vez que não em lembre da Várzea, das férias em Agosto e do meu querido primo Armando.
Tínhamos sempre o mês de Agosto garantido, já o tempo... era conforme! Mas saíamos de casa de madrugada, a Mãe era implacável com os sonos, de manhã começava o dia, mesmo que o sol só se lembrasse de o fazer lá para o meio-dia. Alternativa: ficar na esplanada do hotel da Praia Grande embrulhada na toalha à espera que o sol aparecesse, muitas vezes era mesmo nessa altura que o regresso a casa estava marcado, aí era o Pai que era implacável mais a questão delicadíssima do trânsito, do lugar do carro, das manobras e do almoço! Meu Deus, a praia era sempre um monte de problemas!
Não fosse o Armando ser a descomplicação em pessoa, a nossa praia resumir-se-ia a um banho de nevoeiro, ou, em dias de sol, aos gritos histéricos da Mãe quando íamos ao banho, não fosse uma onda levar-nos... Mas ainda havia o "lá vou eu, há bolas e batatinhas!", umas belas kingadas e volei! Quando as marés apertavam, havia sempre a piscina do hotel! Isso sim, era um dia bem passado.
Ao fim da tarde, depois dos banhos e antes do jantar, adorava ir até à Casa do Sol, na Rua dos Girassóis, ver o Armando regar aquele jardim, todo arranjadinho. Eu bem lhe pedia que me deixasse regar, às vezes até se comovia e deixava, mas mal me via levantar a mangueira tirava-ma logo da mão, não era assim que se fazia...
À noite íamos à Praia das Maçãs, ao Casino, nome pomposo para um café com um andar superior onde jogávamos matraquilhos e onde o Pai, o Armando e o Zé jogavam bilhar. Nós não estávamos autorizadas, não fôssemos nós rasgar o pano verde!
Passámos lá férias uma data de anos, o tempo suficiente para dois namorados do antigamente, com três anos de intervalo, aparecerem sem avisar, o que causou alguns embaraços... Um deles e o meu grande amigo Tóinas dormiram literalmente ao relento, no quintal da casa ao lado! Coitados! Numas cadeiras de praia, embrulhados em cobertores!
Depois deixámos a Várzea e fomos para Janas... uma jana autêntica! Mas teve de ser.
Foram bons tempos, apesar dos constrangimentos do costume!
Mal o Pai morreu deixámos Sintra, a Costa da Caparica é que estava a dar... nunca gostei, nem eu nem a Mãe! E, de repente, redescobriu-se a Ericeira das nossas infâncias!
Mas a Praia Grande continua a ser a Praia Grande...


0 comentários:
Enviar um comentário