Chamem-lhe o que quiserem... Quando se é profundamente amado a vida tem outro sabor! Mesmo os que nascem com limitações, essas atenuam-se com o amor... Lembro-me de uma história de um bebé abandonado que tinha as feições marcadas pela deficiência, mas que de um dia para o outro, depois de ser adotado por uma FAMÍLIA, recuperou as suas feições, o seu ar saudável com que tinha nascido, pronto para a vida! Graças ao amor com que foi acolhido, recebido, criado... É esta a linha que nos separa, a linha do amor. Nada tem a ver com correntes de psicologia, de pedagogia! Nada disso, pura e simplesmente amor. «Amai-vos uns aos outros» nada mais simples, nada mais puro e cru, tão só amor. A falta dele é um veneno, corrói, transmite-se de geração em geração, deixa marcas indeléveis, cria correntes de ódio, de desprezo, os abusados tornam-se em abusadores numa réplica interminável de maldade, crueldade, de terror...
Crescer no amor não é pedir muito! Fiz muitas coisas mal... Tantas! Mas penso que os meus filhos sobreviveram a tudo isso, porque sabiam que, apesar dos meus gritos, choros, de dizer coisas horrorosas «achas que eu pensava que ser mãe era assim?» e ser demasiado exigente nos comportamentos, eles eram e são, sobretudo, muito amados. Vi-me muitas vezes sozinha, com três filhos numa terra que detestava, num ambiente hostil, sem família que me apoiasse, quer de um lado quer do outro, sim, nem me venham com merdas... Mas eles sabiam que, apesar de tudo, ao fim e ao cabo, tinham um pai e uma mãe que os amavam incondicionalmente. «Gosto mais do pai do que da mãe» dizia o Afonso, e tinha razões para isso, eu, desequilibrada, como sempre fui, emocionalmente, lidava, e ainda lido, muito mal com as falhas nos compromissos, horários, presenças... Tive de engolir muito, demais... Acho que muitas das coisa que nunca engoli fazem-me andar muitas vezes engasgada. «Nunca dei conta do que fazia à minha mãe, não é a ti...», tinha o Afonso meses!

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