segunda-feira, 7 de março de 2016

O Avô Luís e os «devoirs»

          Já instalada na casa nova, mas ainda na parte francesa do Liceu, recebi a visita do único avô que conheci, o Avô Luís, figura peculiar, gordo, muito gordo, bonacheirão e simpático. Lembro-me muito bem dele, apesar de só guardar na memória poucos momentos com ele. O Avô na Moita, muito vagamente, na João XXI, essa ida aos Olivais, uma viagem com almoço à Praia Grande, em pleno inverno com as ondas gigantescas que destruíam, todos os anos, a piscina do hotel, e um telefonema estapafúrdio, já em plena demência, à procura da minha mãe, se ela lhe teria telefonado, pouco tempo antes de morrer. 
           Estava então na casa nova, no meu quarto, com o Avô à espera do jantar. Perguntou-me se eu não tinha trabalhos da escola para fazer, ao que respondi, prontamente, que não. Então, deixa lá ver o teu caderno. Está bem, muito orgulhosa do meu caderninho muito bem organizado, contas a lápis, escrita a tinta permanente, com os devidos borrões a manchar aqui e ali aquelas páginas. Então, o que é isto? O quê, Avô? Isto: «devoirs»? Não sei!
           Fiquei, nesse momento extraordinário, a saber que estava em incumprimento desde o início do ano, pensando que seria um remate no final de cada aula, devoirs! 

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